
Bitcoin sobe com acordo entre EUA e Irã, mas apetite a risco pode não se consolidar; entenda
Se, de um lado o alívio geopolítico traz de volta o capital para bolsas e criptos, do outro os sinais de alta de juros nos EUA fragilizam uma consolidação desse movimento
A recuperação dos mercados de ativos de risco diante do acordo entre Estados Unidos e Irã marca o início desta semana, após a última ser impactada negativamente pelos sinais de alta de juros americanos. No segmento cripto, o Bitcoin (BTC) também sobe, acompanhando o movimento dos índices acionários.
Por volta de 18h (horário de Brasília), o principal representante do setor ganha pouco mais de 2%, negociado no patamar dos US$ 64.000, segundo dados da plataforma agregadora de preços Coingecko.
André Franco, CEO da Boost Research, destaca que já na madrugada do Ocidente os índices Nikkei, do Japão, e Kospi, da Coreia do Sul, renovaram recordes históricos. Na Europa, as bolsas operam em alta, majoritariamente em alta. Em Nova York, as bolsas abriram em campo positivo. No sentido oposto, os preços do petróleo e do ouro recuam, com os recursos dos investidores saindo de ativos mais seguros, com o alívio no cenário geopolítico, mantendo o movimento iniciado já na semana passada.
Franco diz que a queda do preço do petróleo alivia a pressão inflacionária, o que poderia afrouxar a política monetária americana. No entanto, o comunicado e as declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), após a reunião da última quarta–feira (17) não só não trouxe sinais de redução de juros, como apontou para pelo menos uma elevação até o final deste ano.
“A estreia de Kevin Warsh no comando do banco central americano trouxe um choque de contração inesperado: juros mantidos em 3,50% a 3,75%, mas 9 dos 18 membros do comitê projetam uma alta em 2026”, afirma Franco. “As apostas de alta subiram para cerca de 66%. Quem esperava que o Fed aproveitasse o Brent mais baixo para sinalizar cortes saiu decepcionado.”
Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do MB, pontua que, nesse cenário, os ETFs (fundos de índice negociados em bolsa) seguem registrando uma das piores sequências de saídas da história recente. Por outro lado, investidores de longo prazo acabam de atingir uma nova máxima histórica de acumulação.
“A principal batalha do mercado neste momento parece ser entre o fluxo vendedor dos ETFs e a forte absorção de oferta realizada pelos investidores mais pacientes”, avalia Tota. “Até agora, a região dos US$ 60 mil segue vencendo essa disputa. E enquanto essa faixa continuar sendo defendida, o cenário base permanece sendo o de consolidação antes de uma nova tentativa de ataque às resistências dos US$ 66 mil e US$ 67 mil.”