Tesouro Direto: por que os juros dos títulos públicos chegaram às máximas históricas?

Tesouro Direto: por que os juros dos títulos públicos chegaram às máximas históricas?

Tesouro Direto: por que os juros dos títulos públicos chegaram às máximas históricas?

Projeção de inflação para 2026 subiu pela 15ª semana seguida e, apesar de leve queda nesta segunda, títulos seguem próximos de níveis recordes

Os juros pagos pelos títulos do Tesouro Direito até registram um leve recuo nesta segunda-feira (22), após o Tesouro anunciar o cancelamento do leilão regular de papéis atrelados à inflação (Tesouro IPCA+, ou NTN-B). Ainda assim, eles continuam próximos às máximas históricas, registradas nas últimas duas semanas, quando títulos prefixados atingiram 15%, e os indexados à inflação, IPCA+8,5%.

Por trás do nível não visto desde a crise institucional do governo Dilma, está uma inflação acelerada, mesmo com a Selic no atual patamar de 14,25%. É o maior juros real do mundo, entre as economias de grande porte. Mas não o suficiente para evitar que a previsão para o IPCA de 2026 chegue a 5,33% nesta segunda, de acordo com o Boletim Focus, do Banco Central. Foi a 15ª semana seguida de alta nas projeções.

- A aplicação no Tesouro IPCA+ 2032 paga, hoje, IPCA + 8,45% ante IPCA+8,47% na última sessão.

- A aplicação no Tesouro IPCA+ 2040 retorna IPCA + 7,48%, ante IPCA + 7,54% na última sessão.

- A aplicação no Tesouro Prefixado 2029 paga 14,76%, ante 14,89% na última sessão.

- A aplicação no Tesouro Prefixado 2032 remunera 14,75%, ante 14,87% na última sessão.

Para Laís Costa, especialista em renda fixa da Empiricus, as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, e do Fed, nos Estados Unidos, ambas reforçaram a leitura de que a expectativa de inflação no Brasil continuará em revisão para cima.

"O Copom adicionou um tom mais expansionista ao cenario doméstico, o que naturalmente já leva a um viés de alta na inflação. Além disso, a guinada mais contracionista do Fed gera um viés inflacionário no Brasil pelo canal do câmbio. O real mais depreciado eleva os preços de comercializáveis", diz Costa.

Com os dois elementos somados, o risco associado aos títulos públicos sobe e investidores pedem mais para financiar a dívida pública. É o que justifica o Tesouro IPCA+ atingir patamar superior ao visto durante a crise do governo Dilma. Para Laís Costa, o atual nível está alinhado ao risco que o investidor toma ao comprar esses papéis. Na sua leitura, caso o IPCA continue surpreendendo para cima, esses ativos repassam taxas mais altas ao investidor a nível nominal, ao mesmo tempo em que mantêm o potencial de compra acima da inflação.

Quando as taxas sobem, é porque os preços dos títulos caíram. Quando isso ocorre, quem tem eles na carteira vê o seus investimentos se desvalorizarem, caso queira vendê-los antes do vencimento. Se, no futuro, as taxas vierem a cair, ocorre o inverso: o preço sobe e, ao resgatá-lo antecipadamente, o investidor realiza lucro além do previsto na taxa pela qual comprou o papel.

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