
Ata do Copom: Por que o ambiente pede juros maiores por mais tempo? Entenda!
Banco Central cortou os juros em 0,25 ponto percentual na última reunião
Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central afirmou que o ambiente atual pede uma Selic elevada por mais tempo. O documento divulgado nesta terça-feira (23) diz respeito à reunião da semana passada, na qual a autoridade monetária cortou a Selic em 0,25 ponto percentual e levou a taxa básica de juros para 14,25% ao ano.
"Em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se restrução monetária maior e por mais tempo", afirmou a autoridade monetária em nota. As "expectativas desancoradas" são as projeções da inflação distantes da meta perseguida pela autoridade monetária no chamado "horizonte relevante" da política monetária. Neste caso, 2026 em diante.
Mas por que essas "expectativas desancoradas" importam?
Essas expectativas importam por terem certo poder de autorrealização. Ao esperarem inflação mais alta lá na frente, produtores acabam remarcando preços para cima para se proteger da alta de custos. Já consumidores antecipam intenções de compra. E, na prática, essa inflação esperada mais alta pode acabar se materializando. Nesse cenário, se o BC afrouxa a política de juros, corre o risco de passar a impressão de inflação ainda mais descontrolada no futuro.
Na última leitura do Boletim Focus, a expectativa para a inflação de 2026 subiu de 5,30% para 5,33% , sendo a 15ª semana seguida de alta. Já a meta perseguida pelo governo é de 3% de inflação ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que levaria o limite a 4,5%. Portanto, a expectativa dos economistas é que a inflação supere (e muito) o teto da meta neste ano.
Corte de 0,25 para buscar a meta de inflação
O BC afirmou que a magnitude do ciclo de calibração da Selic será ajustada conforme o cenário. O objetivo, segundo a autoridade monetária, é assegurar a convergência da inflação à meta.
Na ata, a autoridade monetária afirma que julgou como mais adequado, nesse momento, manter a trajetória da Selic "menos discrepante" a fim de "evitar induzir volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros". "O corte da Taxa para 14,25% ao ano é compatível com a estratégia de convergência para a inflação ao redor da meta", afirmou o BC.
É importante destacar que o IPCA acumula alta de 3,20% nos primeiros cinco meses de 2026 e chegou a 4,72% nos últimos 12 meses. Como a meta perseguida pelo governo é de 3% de inflação ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, em 12 meses a inflação supera o teto da meta.
Segundo o BC, os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, "permanecem mais elevados do que o usual, com assimetria altista". Na prática, isso significa que o ccenário ainda é nebuloso e que há uma probabilidade maior da inflação surpreender para cima.
A guerra acabou, mas o cenário segue incerto
O Banco Central voltou a destacar as incertezas do cenário, que "envolvem não só a extensão dos efeitos de choques já materializados quanto de outros considerados na projeção".
"O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio", disse o BC.
Na prática, essa ata ganha ainda mais importância em meio a um cenário nebuloso sobre os reais impactos da guerra entre Estados Unidos e Irã na econômica mundo afora. Afinal, ainda não se sabe o tamanho das consequências econômicas de um conflito que durou mais tempo do que o esperado.
A autoridade monetária ainda destacou que os dados mais refentes de inflação mostraram sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio. "As últimas divulgações de inflação situam-se em valores significativamente acima dos inicialmente esperados", complementou.
Política fiscal
Por fim, o BC voltou a falar sobre a política fiscal e disse que mantém “firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas”. O colegiado voltou a reforça a necessidade de "políticas fiscal e monetária harmoniosas".
“A política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e uma dimensão mais estrutural, que tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros”, disse o BC.