
Fitch vê risco de calote em banco de Edir Macedo, alvo de operação da PF
Agência cortou a nota do Digimais para 'CCC', citando baixa margem de segurança e falta de informações para avaliar a situação financeira da instituição
Por Valor Investe — Rio
Atualizado
O Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, voltou ao centro das atenções do mercado após ter sua nota de crédito (rating) rebaixada pela agência Fitch e se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga possíveis fraudes no sistema financeiro.
A Fitch reduziu a classificação nacional do banco de 'BB+(bra)' para 'CCC(bra)', um nível que indica elevado risco de crédito.
Segundo a agência, a decisão reflete a avaliação de que a margem de segurança da instituição é muito baixa e que um eventual calote ou até mesmo uma quebra do banco se tornaram possibilidades reais.
Além do rebaixamento, a Fitch informou que deixará de acompanhar o rating do Digimais. A agência afirmou que enfrenta restrições para analisar a instituição devido à ausência de informações atualizadas e à baixa visibilidade sobre a estratégia futura do banco.
Segundo o relatório, a falta de dados dificulta uma avaliação mais consistente sobre capitalização, liquidez e capacidade de geração de resultados.
O que está acontecendo com o Digimais?
O banco já vinha enfrentando dificuldades antes mesmo da operação da PF. Nos últimos anos, o Banco Central exigiu reforços de capital da instituição, incluindo um aporte de R$ 250 milhões realizado por seu controlador no fim do ano passado.
Em abril, o BTG Pactual anunciou um acordo para comprar o controle do Digimais. A operação, porém, depende de uma série de aprovações regulatórias e de um financiamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que ainda não foi liberado.
Quem é o Digimais?
O banco foi fundado em 1981, no Rio Grande do Sul, pela família Renner. Edir Macedo entrou na operação em 2013 e posteriormente assumiu o controle total da instituição.
De acordo com dados do Banco Central, o Digimais encerrou 2025 com cerca de R$ 10 bilhões em ativos, R$ 1,5 bilhão em carteira de crédito e R$ 8,5 bilhões em depósitos.
*Com informações do Valor PRO, plataforma de notícias em tempo real do jornal Valor Econômico.