
Ibovespa fecha em alta apesar de queda da Vale e das bolsas globais; dólar também sobe
Principal índice da bolsa brasileira sustentou os 170 mil pontos mesmo com o recuo da mineradora, enquanto o mercado avalia os sinais do BC para os próximos passos da Selic
Enquanto as bolsas americanas foram pressionadas pela forte correção das ações de tecnologia e inteligência artificial, o Ibovespa operou na contramão e fechou em alta nesta terça-feira (23). O índice se manteve acima dos 170 mil pontos mesmo com a queda das ações da Vale, que limitou ganhos mais expressivos da bolsa brasileira, enquanto os papéis dos setores financeiro e de energia impulsionaram os negócios.
- O principal índice da bolsa brasileira avançou 0,52%, segundo dados preliminares, aos 171.258 pontos.
- No mercado de câmbio, a cotação do dólar subiu 0,88%, a R$ 5,19.
Nos Estados Unidos, o Nasdaq caiu 2%, ampliando as perdas da véspera em meio a uma forte realização de lucros nas ações de tecnologia e de inteligência artificial. O movimento também atingiu fabricantes de semicondutores e empresas ligadas à infraestrutura de IA, que lideram as quedas em Wall Street e em outras bolsas pelo mundo.
A correção ganhou força após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sinalizar, na semana passada, que pode promover uma alta de juros até o fim do ano.
O cenário ampliou a cautela dos investidores com empresas que vinham acumulando fortes ganhos impulsionados pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial.
Nesse contexto, o dólar atingiu seu nível mais alto em mais de um ano, no mercado internacional. O DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de outras seis moedas fortes (euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço) subia 0,36%, para 101,37 pontos.
No mercado local, os investidores repercutiram a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta manhã. O documento mostrou que o Banco Central pretende manter os juros mais altos, diante das expectativas de inflação ainda acima da meta.
A autoridade monetária afirmou que o atual ambiente de expectativas desancoradas exige "restrição monetária maior e por mais tempo", embora tenha reiterado que o corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano, permanece compatível com a estratégia de convergência da inflação.
Apesar do tom cauteloso do Banco Central, o mercado local mostra alguma resiliência na sessão de hoje, sustentado principalmente pelo desempenho positivo de bancos e de ações domésticas, que compensam o peso da Vale sobre o índice.