
Ouro cai e prata despenca mais de 5%; o que está derrubando os metais preciosos?
Mercado reduz apostas em novos recordes para os metais preciosos após tom mais duro do banco central americano e correção nas ações de tecnologia
Os preços do ouro e da prata aprofundam as perdas nesta terça-feira (23), pressionados pela perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos, alta do dólar no mercado internacional e pela onda de aversão ao risco que derruba os mercados globais hoje.
- Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o ouro com entrega prevista para agosto fechou em queda de 1,27%, a US$ 4.149,4 por onça-troy.
- A prata apresentou queda ainda mais intensa, de 5,8%, a US$ 61,80 por onça.
- O índice DXY, que mede a relação entre o dólar e uma cesta de moedas de países desenvolvidos, superou os 101,40 pontos, nas máximas de um ano.
A correção ocorre poucos dias após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) adotar um tom mais duro em sua mais recente reunião de política monetária.
O mercado passou a considerar a possibilidade de uma nova alta de juros até o fim do ano, cenário que costuma prejudicar ativos que não oferecem rendimento, como os metais preciosos.
O movimento também coincide com uma forte realização de lucros nas ações de tecnologia e de inteligência artificial, que pressionou bolsas na Ásia, Europa e Estados Unidos.
A busca por liquidez e a redução de posições em ativos que acumularam fortes ganhos nos últimos meses acabaram atingindo também o mercado de metais.
Projeções para o ouro
Algumas instituições financeiras começaram a rever suas projeções para o ouro. O Bank of America indicou que sua estimativa anterior de US$ 6 mil por onça parece menos provável diante de um ambiente de inflação e juros altos.
O Deutsche Bank também reduziu suas expectativas para o metal. Em relatório divulgado nesta terça-feira, o banco estimou que o ouro pode encerrar o terceiro trimestre próximo de US$ 4.300 por onça caso o Fed mantenha os juros estáveis.
Em um cenário mais agressivo, com três ou quatro altas de juros nos Estados Unidos, o banco avalia que a cotação do ouro poderia recuar para até US$ 3.800 por onça.