Por que essa é a 'ata mais esperada do Copom'?

Por que essa é a 'ata mais esperada do Copom'?

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O ponto forte desta terça-feira (23) é a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na qual a autoridade monetária cortou a Selic em 0,25 ponto percentual e levou a taxa básica de juros para 14,25% ao ano. O documento será divulgado às 8h e os investidores esperam não só que o BC esclareça o que justificou a queda, mas traga pistas sobre o que entra no radar para as próximas decisões. Essa ata ganha ainda mais importância em meio a um cenário nebuloso sobre os reais impactos da guerra entre Estados Unidos e Irã na econômica mundo afora. Afinal, ainda não se sabe o tamanho das consequências econômicas de um conflito que durou mais tempo do que o esperado.

O que o mercado espera?

A possibilidade de novos cortes acontecerem é principal ponto de dúvida do mercado, especialmente após o comunicado do Banco Central na semana passada ter sido considerado "confuso" pelos analistas. Mesmo que o BC tenha apontado para um ambiente de inflação pressionada, expectativas em deterioração e riscos mais desafiadores, o texto sugere que a taxa básica de juros ainda pode cair mais. Portanto, o mercado quer entender o que justifica essa continuidade da queda.

Os economistas, por sua vez, esperam pelo menos mais um corte da Selic em 0,25 pontos percentual. Mas acaba por aí, pelo menos segundo as projeções do Boletim Focus.

As dúvidas partem de um cenário nebuloso: embora o fim do conflito entre EUA e Irã tenha reduzido os temores imediatos sobre a oferta global de petróleo, ainda é cedo para medir os efeitos econômicos de uma guerra que durou quatro meses (bem mais do que o mercado previa inicialmente).

É importante lembrar que taxa básica de juros influencia o custo do crédito e tem impacto em toda a cadeia de investimentos. Se o Banco Central sinalizar novos cortes, títulos de renda fixa tendem a oferecer retornos menores no futuro, enquanto ações podem ganhar atratividade com o estímulo à atividade econômica.

Por outro lado, se a ata indicar que o ciclo de queda está perto do fim, investidores podem revisar suas apostas para os juros e aumentar suas posições em renda fixa, enquanto bolsa (bem como o caixa das empresas) pode sofrer um impacto negativo.

E o fim da guerra, não trouxe alívio?

O cenário geopolítico, por sua vez, trouxe um alívio importante com a guerra entre Estados Unidos e Irã realmente se encaminhando para o fim. O acordo fez com que o fluxo do petróleo começando a normalizar no Estreito de Ormuz, o que reduz uma das principais fontes de tensão.

Não à toa, por volta das 7h10 desta terça-feira o petróleo tipo Brent (referência global) caía 0,58%, cotado a US$ 77,46 o barril. Já o WTI (referência norte-americana) caía 0,49%, cotado a US$ 73,51.

Os investidores, no entanto, seguem monitorando se a escalada dos combustíveis e da energia terá impacto duradouro sobre a inflação ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Além disso, ainda há incertezas sobre a velocidade da normalização das cadeias de abastecimento e sobre possíveis reflexos nas expectativas de inflação e, claro, nas decisões dos bancos centrais.

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