
Vale (VALE3) e siderúrgicas caem com temor sobre a economia global; entenda
Setor sofreu com a queda do minério de ferro e com a piora do humor nos mercados globais, após novos temores sobre juros nos EUA
As ações das companhias de mineração e siderurgia ficaram entre as principais quedas da bolsa brasileira nesta terça-feira (23), em um pregão marcado pela aversão ao risco nos mercados globais. O desempenho negativo da Vale segurou a valorização a Ibovespa.
- O papel da Vale (VALE3), com maior peso do Ibovespa, recuou 1,9%, após perderem mais de 2% pela manhã, e encerrou o dia cotado a R$ 79,38.
- Também fecharam no vermelho Usiminas (USIM5), com queda de 4,9%, a R$ 8,66, Gerdau (GGBR4), que recuou 0,9%, a R$ 21,70, e CSN (CSNA3), em baixa de 1,3%, a R$ 5,27.
Para Gustavo Bertotti, analista de renda variável da Fami Capital, o movimento não está relacionado a questões específicas da Vale, mas sim a um ambiente global mais negativo para os ativos ligados ao crescimento econômico.
Segundo ele, a correção reflete a piora do apetite por risco nos mercados internacionais após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) reforçar uma postura mais dura em relação aos juros.
O cenário aumenta as preocupações com a atividade econômica global e afeta diretamente setores ligados a commodities, como minério de ferro, aço e cobre.
"O setor de mineração e siderurgia está diretamente ligado à atividade econômica mundial. Quando o mercado passa a projetar crescimento menor e juros elevados por mais tempo, esses ativos tendem a sofrer", afirma Bertotti.
O analista destaca que o movimento é global, com empresas do setor listadas no exterior, como a Rio Tinto, também registrando perdas nesta sessão, em um ambiente de correção que atingiu bolsas na Ásia, Europa e Estados Unidos.
Além das preocupações com a economia global, o setor também é pressionado pela queda do minério de ferro, fator que pesa especialmente sobre a Vale e as siderúrgicas brasileiras.
Na avaliação de Pedro Galdi, analista da AGF, a combinação entre a realização nas ações de tecnologia nos Estados Unidos, indicadores mais fracos de atividade na Europa e a queda da commodity ajuda a explicar o desempenho negativo do segmento.
"O mercado acionário global iniciou esta terça-feira pesado. Nos EUA, o Nasdaq reflete realização nas techs. Na Europa, dados de PMIs vieram fracos e pesaram principalmente sobre a Alemanha. Siderurgia e mineração refletem esse cenário e a queda no preço do minério de ferro", afirma.