
Classes D e E encolhem e já são menos de 20%
Mercado de trabalho e programas sociais levam baixa renda ao menor nível desde 2012, diz consultoria
Por Grace Vasconcelos, Valor — São Paulo
Atualizado
A participação dos brasileiros nas classes D e E caiu para o menor nível em 2025, segundo levantamento da consultoria 4Intelligence. Atualmente, 19,4% da população vive em domicílios com renda de até R$ 760 por pessoa, o equivalente a cerca de 41 milhões de pessoas, configurando os estratos de mais baixa renda do país.
A série histórica da consultoria tem início em 2012, quando as classes D e E representavam 31,6% da população brasileira. O percentual atingiu o pico em 2021, chegando a 34%, em meio à pandemia de covid-19.
A melhora do mercado de trabalho e os programas de transferência de renda contribuíram para a redução dessa parcela da população e para que famílias migrassem para faixas de renda mais elevadas, afirma o economista Bruno Imaizumi, responsável pelo levantamento.
Apesar da melhora, Imaizumi destaca que a ascensão social das classes mais baixas para as classes intermediárias é geralmente frágil. Ele explica que a maioria dessas pessoas não conseguiu acumular patrimônio ou reservas suficientes para sustentar essa melhora de forma independente, o que significa que ainda dependem de um cenário econômico favorável, por meio do trabalho e da renda, mas também da inflação controlada e dos juros baixos, por exemplo.