
Dólar volta a R$ 5,20 e Ibovespa cai com queda do petróleo e dúvida sobre futuro dos juros
Normalização do transporte pelo Estreito de Ormuz derruba os preços da commodity aos menores níveis desde o início da guerra, em fevereiro
A retomada dos fluxos no Estreito de Ormuz, importante canal por onde escoa parte do petróleo mundial, é um dos principais gatilhos nos negócios desta quarta-feira (24). A normalização do transporte faz com que os riscos associados ao choque energético, aos poucos, se dissipem, mas ainda não é suficiente para conter as expectativas em torno da alta de juros.
Nesse contexto, no mercado de câmbio, a cotação do dólar voltou aos R$ 5,20, maior nível desde o fim de março, com alta de 0,29%.
Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, a B3, depois de subir ontem na contramão dos mercados globais, devolveu parte dos ganhos e caiu 0,44%, aos 170.506 pontos.
Com o alívio das tensões no Oriente Médio e a queda nos preços do petróleo ao menor nível desde o início da guerra, no final de fevereiro, as ações das companhias petroleiras, incluindo Petrobras (PETR4), fecharam em forte queda, o que pesou fortemente sobre o principal índice de ações da bolsa brasileira.
Segundo a Monte Bravo Corretora, o desafio agora passa a ser o tempo necessário para que a melhora na oferta se reflita integralmente nos estoques de petróleo e na disponibilidade física de energia ao consumidor final.
Dólar
Segundo a gestora Ajax Asset, a volta de teses de investimento, como o excepcionalismo americano, faz o dólar ganhar força e os ativos americanos podem continuar atraindo parcela relevante da liquidez global em relação a outras regiões.
Soma-se a isso a dinâmica de política monetária do Brasil e dos Estados Unidos. Com o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) sinalizando uma postura mais dura em relação à decisão dos juros por lá, com perspectiva de manutenção ou até alta nos juros nos EUA, o Brasil segue em ciclo de corte de Selic, o que diminui o diferencial de juros que atrai capital, explica Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue.
Ata do Copom
Ontem, o Banco Central divulgou a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu mais uma vez a Selic, agora em 12,25%.
Na avaliação de Rafael Rondinelli, economista da Mag Investimentos, a sinalização para os próximos passos se degradou em relação à reunião anterior. "Em abril, o Copom afirmou que 'julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração' e que os eventos recentes 'não impediriam o prosseguimento desse ciclo.' Agora, essa linguagem desapareceu", diz ele.
Já Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, diz que a ata reforçou a percepção de uma "comunicação confusa" por parte do Comitê, com sinais mistos sobre atividade, inflação e condução da política monetária. "Mantemos nossa expectativa de interrupção do ciclo em agosto, pois esperamos continuidade do processo de desancoragem das expectativas no Focus 2028".
Agenda da semana
No radar do mercado, a semana também conta com a divulgação do IPCA-15 (a prévia da inflação oficial) e por dados de emprego na sexta-feira (26).
Na avaliação da Análise Econômica, a prévia da inflação oficial do país deve registrar nova desaceleração, embora a variação mensal possa ser a mais elevada para junho em quatro anos. "Apesar da dissipação parcial dos riscos inflacionários, a inflação permanece elevada no Brasil e no mundo, refletindo, em parte, os efeitos de segunda ordem dos choques sobre os preços de bens e serviços", aponta o relatório da consultoria.
"O alívio transitório, no entanto, deve ser recebido com cautela, uma vez que a segunda metade do ano poderá ser marcada por uma elevação dos preços dos alimentos, em decorrência de eventos climáticos mais severos, particularmente o El Niño", acrescenta o relatório.
Já lá fora, o destaque fica com o PCE (índice de preços de gastos com consumo pessoal) de maio nos EUA, um dos dados mais importantes para Federal Reserve (Fed o BC dos EUA), previsto para quinta-feira (25).