
BC aperta o cerco e vai cobrar de bancos dados de qualidade
Regulador quer garantir que informações sejam confiáveis e tempestivas
Por Álvaro Campos, Valor — São Paulo
Atualizado
Os bancos europeus costumam ser submetidos, periodicamente, a “simulados de incêndio” — quando um servidor do Banco Central Europeu (BCE) chega de surpresa e manda evacuar o prédio em prazo bastante curto, mas exigindo que antes disso sejam reportadas algumas métricas de risco específicas. Agora, o Banco Central do Brasil quer garantir que os bancos por aqui tenham um nível de organização e preparo parecido.
No fim do ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) publicou a resolução conjunta 18, que dispõe sobre a política de qualidade das informações prestadas por bancos e outras instituições reguladas. Em um ambiente de digitalização, em que a inteligência artificial (IA) gera riscos e oportunidades e a importância da cibersegurança só aumenta, ter dados organizados e bem estruturados é essencial.
O prazo para implementação vence no fim do ano e o setor corre para tentar se adaptar. Entretanto, para grandes organizações, com uma estruturas complexas e sistemas legados de décadas, garantir que as informações estejam arrumadas e acessíveis — além de seguras — não é uma tarefa simples.
A resolução foi divulgada em meio a uma batelada de outras normas e passou despercebida no começo deste ano. Mais recentemente, à medida que se aproxima o prazo de implementação, o setor foi bater na porta do Banco Central pedindo para adiar as regras, mas o regulador não aceitou, segundo o Valor apurou. As exigências fazem parte do conjunto de regras de Basileia 3 e, apesar de ser uma questão regulatória, especialistas apontam que como terão de “arrumar a casa”, esta também pode ser uma oportunidade de negócio para os bancos, que assim têm mais chance de desenvolver produtos e serviços novos e mais customizados para os clientes.