
Com fim da guerra, IPCA-15 desacelera, sobe 0,41% em junho e fica abaixo das expectativas
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), conhecido por ser a prévia da inflação do Brasil, foi divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira (25)
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação do Brasil, subiu 0,41% em junho, conforme apontou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (25). O resultado representa uma desaceleração, uma vez que em maio o índice subiu 0,62%.
O indicador veio abaixo das expectativas. A projeção mediana das 29 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data apontava para uma alta de 0,44%. As estimativas iam de um avanço de 0,33% a uma alta de 0,57%.
No ano, o índice acumula alta de 3,45% e, em 12 meses, 4,80%, acima dos 4,64% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em junho de 2025, o IPCA-15 foi de 0,26%.
Diferença do IPCA-15 para o IPCA
Apesar de ser chamado de “prévia da inflação” por supostamente antecipar o IPCA, o IPCA-15 também mede a própria inflação, mas em um período diferente.
A principal diferença em relação ao IPCA é que a “prévia” acompanha a inflação entre os dias 15 de um mês e 15 do outro, enquanto a inflação “oficial” considera a variação do início ao fim do mês fechado.
Como a inflação impacta a minha vida?
Em períodos de inflação alta ou acelerando rapidamente, o instrumento utilizado pelo Banco Central para conter esse movimento é a Selic, a taxa básica juros no Brasil. Assim, o BC eleva os juros para encarecer o crédito para empresas e consumidores e, com isso, reduzir o consumo e desacelerar a alta dos preços
O mesmo vale para o cenário contrário: quando a alta dos preços está controlada, o Banco Central pode abaixar os juros (ou seja, “baratear o dinheiro”) para estimular empresas e pessoas a voltarem a consumir sem comprometer tanto o orçamento. Dessa forma, a economia tende a ganhar força novamente.
Uma guerra no meio do caminho...
No cenário atual, a guerra entre Estados Unidos e Irã contribuiu para a disparada do petróleo, o que gerou um alerta inflacionário no mundo todo. Como o petróleo é essencial para combustíveis e para o transporte de praticamente todos os produtos, quando o barril fica mais caro, empresas passam a gastar mais com gasolina, diesel e energia, elevando os custos de produção e distribuição de diversos itens, como alimentos, roupas e outros bens. Ou seja: mais inflação.
Com o acordo firmado ente EUA e Irã, os preços do petróleo voltaram a cair e agora estão em patamares bem mais baixos, mas ainda elevados perto do que era negociado antes do conflito começar, o que gera um ponto de atenção. Além disso, os impactos da guerra, especialmente no que tange a inflação, ainda estão sendo avaliados. Portanto, o cenário segue nebuloso.
Qual é o cenário agora?
Assim, investidores acompanham a composição do IPCA-15 em busca de sinais de melhora na inflação dos itens mais resistentes ao ciclo de juros altos, para avaliar o ritmo e a intensidade das próximas quedas da Selic.