
Inflação dos EUA sobe abaixo do esperado; mercado prevê três altas de juros do Fed
O índice preferido de inflação do Fed segue acima da meta de 2% perseguida pelo banco central americano, enquanto investidores já apostam em um novo ciclo de alta dos juros a partir de setembro
A inflação dos Estados Unidos desacelerou um pouco mais do que o esperado em maio, mas ainda não foi suficiente para mudar a leitura do mercado sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed). O índice de gastos com consumo (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo banco central americano, subiu 0,4% no mês, abaixo da expectativa de alta de 0,5%. Em 12 meses, o índice acumula avanço de 4,1%.
Já o núcleo do PCE, que exclui os preços mais voláteis de alimentos e energia e é considerado a principal referência para as decisões do Fed, avançou 0,3% em maio, também dentro do esperado. Na comparação anual, a alta foi de 3,4%, o maior patamar desde outubro de 2023, sinalizando que as pressões inflacionárias seguem disseminadas pela economia americana.
Apesar do resultado mais fraco do índice cheio, a inflação continua bem acima da meta de 2% perseguida pelo banco central americano.
Os dados divulgados nesta quinta-feira também mostraram que a atividade segue resiliente. A renda pessoal dos americanos cresceu 0,7% em maio, acima da expectativa de 0,4%, enquanto os gastos com consumo avançaram 0,7%, superando a projeção de 0,6%.
Em geral, embora parte da pressão sobre os preços ainda esteja ligada à alta da energia, impulsionada pela guerra entre Irã e Israel, cresce a preocupação de que esse movimento esteja se espalhando para outros setores da economia.
Segundo os contratos futuros negociados pelo CME Group, o mercado vê como mais provável a manutenção da taxa na reunião de julho. A partir de setembro, porém, os investidores já apostam em até três altas de juros até o fim do ano.
Por que o PCE é importante?
O PCE é o indicador de inflação mais importante para o Fed porque acompanha um conjunto mais amplo de gastos das famílias americanas e consegue captar mudanças nos hábitos de consumo.
Justamente por isso, costuma ter mais peso nas decisões de política monetária do que o índice de preços ao consumidor (CPI).
Sob a ótica dos investimentos, enquanto a inflação continuar distante da meta, o Fed tende a manter os juros elevados. Isso favorece os títulos do Tesouro americano (treasuries), fortalece o dólar e reduz o apetite por ativos de maior risco, como ações e mercados emergentes.
Para o Brasil, um cenário de juros altos nos Estados Unidos também pode dificultar um ciclo de queda da Selic nos próximos meses.