Juros e IA levam Bitcoin à mínima em quase dois anos: hora de comprar ou vai cair mais?

Juros e IA levam Bitcoin à mínima em quase dois anos: hora de comprar ou vai cair mais?

Juros e IA levam Bitcoin à mínima em quase dois anos: hora de comprar ou vai cair mais?

Criptomoeda perde o suporte dos US$ 60 mil em meio à fuga global de ativos de risco; analistas divergem entre novas quedas no curto prazo e oportunidade para investidores de longo prazo

O mercado de criptomoedas opera em forte queda nesta quinta-feira (25), pressionado pela combinação de um Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) mais duro no combate à inflação e pela liquidação de ações ligadas à inteligência artificial (IA), movimento que vem reduzindo o apetite global por ativos de risco.

Por volta das 18h, o Bitcoin (BTC), principal representante do segmento, era negociado a cerca de US$ 59.400, segundo dados da plataforma agregadora de preços Coingecko. Pela manhã, chegou a tocar US$ 58.200, o menor patamar desde setembro de 2024.

O movimento ocorre em uma semana marcada pela realização de lucros em gigantes de tecnologia e fabricantes de chips, enquanto investidores voltam a direcionar recursos para títulos do Tesouro americano e para o dólar, diante da expectativa de novos aumentos de juros nos Estados Unidos. O índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de divisas, renovou a máxima em mais de um ano.

Para André Franco, CEO da Boost Research, o cenário continua desfavorável para ativos considerados mais arriscados. "O índice DXY furou os 101 pontos, no maior patamar em mais de um ano, e drenou liquidez de tudo que não é dólar", afirma.

Segundo ele, o Bitcoin perdeu a região de demanda entre US$ 60 mil e US$ 61 mil, que "agora vira resistência", enquanto "o apetite por risco segue contido, sem gatilho de alta no radar de curtíssimo prazo enquanto o dólar ditar o ritmo".

Na avaliação do executivo, a expectativa imediata permanece "neutra a levemente negativa", com o Bitcoin oscilando entre US$ 59 mil e US$ 61 mil.

Suporte decisivo

Apesar da deterioração do cenário macroeconômico, parte do mercado avalia que o Bitcoin se aproxima de uma região historicamente importante.

Segundo Fabricio Tota, vice-presidente de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, a faixa dos US$ 60 mil tornou-se o principal suporte do ativo. "Se a região dos US$ 60 mil continuar sendo defendida, aumenta a probabilidade de uma recuperação nas próximas semanas. Por outro lado, um rompimento consistente desse suporte pode abrir espaço para uma nova onda corretiva."

Ele destaca que a pressão não atinge apenas as criptomoedas. Ouro e prata também acumulam perdas em junho, refletindo a percepção de que o Fed poderá manter juros elevados por mais tempo, reduzindo temporariamente a atratividade dos chamados ativos escassos.

Outro fator que pesa sobre o Bitcoin, segundo o executivo, é a continuidade das retiradas de recursos dos ETFs da criptomoeda. Na quarta-feira (24), esses fundos registraram saída líquida de cerca de US$ 470 milhões, o maior fluxo negativo desde o início de junho. No acumulado de 30 dias, os resgates já se aproximam US$ 6,5 bilhões.

"Caso esse ritmo mais forte continue, os ETFs seguirão exercendo pressão relevante sobre o preço do Bitcoin no curto prazo", afirma.

Hora de comprar?

Embora o curto prazo continue desafiador, alguns indicadores sugerem que o mercado pode estar entrando em uma zona historicamente associada a oportunidades para investidores com horizonte mais longo.

Segundo Tota, atualmente apenas 47,5% de toda a oferta de Bitcoin está em lucro. Em outras palavras, mais da metade das moedas existentes está abaixo do preço médio de compra de seus detentores. "O que naturalmente não garante que o mercado já tenha encontrado seu fundo, mas mostra que, historicamente, momentos em que a maioria dos investidores está no prejuízo costumam oferecer algumas das melhores relações entre risco e retorno para quem investe com horizonte de longo prazo."

Ainda assim, o executivo ressalta que a direção do mercado continuará dependendo principalmente do cenário macroeconômico. "O principal gatilho para romper esse equilíbrio continua sendo o cenário macroeconômico. Se os próximos dados de inflação reduzirem a percepção de que o Fed precisará manter juros elevados por muito tempo, parte da liquidez pode voltar para os ativos escassos."

Até lá, conclui, "a região dos US$ 60 mil segue sendo a principal linha de defesa do Bitcoin e, provavelmente, o nível mais importante a acompanhar neste momento."

No curto prazo, o mercado ainda enxerga risco de novas quedas caso o suporte dos US$ 60 mil seja perdido de forma consistente. No longo prazo, porém, indicadores on-chain mostram que o Bitcoin voltou a uma região que, em ciclos anteriores, antecedeu recuperações expressivas.

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