
Mercado passa a prever um corte na Selic em agosto
Prévia da inflação de junho mostrou ritmo desacelerado em relação a maio e mudou o humor dos investidores, que até então apostavam em juros estacionados em 14,25% ao ano nas próximas reuniões do Copom
O humor do mercado sobre os juros virou nesta quinta-feira (25). As perspecticas de novos cortes na Selic haviam sido praticamente abandonadas no início de junho, com a inflação em ritmo acelerado e novos estímulos fiscais e parafiscais divulgados a cada semana. Até que, hoje, o IPCA-15 de junho trouxe uma novidade. Os preços desaceleraram, com dados abaixo da expectativa do mercado, e os efeitos do fim da guerra no Oriente Médio ainda mal começaram. Com isso, os contratos de opção de Copom passam a negociar como mais provável uma queda de 0,25 ponto percentual na próxima reunião.
Ontem, 39% dos contratos de Copom negociados na B3 apostavam em um corte na Selic no dia 5 de agosto, ante 58% que apostavam na manutenção. Desde que o IBGE divulgou o IPCA-15, pela manhã, são 55% de probabilidade de corte, ante 40% de manutenção, , de acordo com o Valor Data.
O consenso ainda sugere que na reunião posterior, em setembro, o ciclo de cortes de juros deve ser interrompido. São 60% dos contratos que apostam nessa opção, ante 27% que apostam em um novo corte de 0,25 ponto percentual. Houve uma sutil melhora em relação a ontem, quando 68% dos contratos apostavam em manutenção.
Uma inflação que desacelera
A prévia da inflação do Brasil subiu 0,41% em junho. O resultado representa uma desaceleração, uma vez que em maio o índice subiu 0,62%. O que é mais importante, o indicador veio abaixo das expectativas. A projeção mediana das 29 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data apontava para uma alta de 0,44%. As estimativas iam de um avanço de 0,33% a uma alta de 0,57%.
No ano, o índice acumula alta de 3,45% e, em 12 meses, 4,80%, acima dos 4,64% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Ou seja, mesmo desacelerada, a inflação segue acima da meta e diminui o espaço que o BC tem para prosseguir com cortes na Selic.
Na leitura de Luiz Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, ainda não é possivel dizer que se trata de uma variação “tranquila”, mas também não foram ruins, principalmente quando nos aproximamos de um momento perigoso para os preços de alimentos, com a chegada do fenômeno climático do El Niño. Mas, apesar desta surpresa positiva, a situação da inflação é ainda negativa, com o acumulado em 12 meses 4,80%, o maior nível desde outubro do ano passado.
"Aquele processo de desaceleração que víamos até março de 2026, quando esse número chegou a 3,89%, é coisa do passado. Agora, é rumo aos 5%", diz Leal.
A avaliação da casa, na contramão das opções de Copom negociadas hoje, é de que os juros ficarão estáveis em 14,25% ao ano na reunião de agosto, e voltarão a cair apenas em dezembro, de forma que a Selic encerre 2026 em 14%.