Operação mira Americanas: Entenda em 5 pontos o que está acontecendo e como afeta o mercado

Operação mira Americanas: Entenda em 5 pontos o que está acontecendo e como afeta o mercado

Operação mira Americanas: Entenda em 5 pontos o que está acontecendo e como afeta o mercado

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga as fraudes contábeis bilionárias da Americanas. Desta vez a investigação busca esclarecer se acionistas de referência e representantes de grandes bancos privados tinham conhecimento das fraudes relacionadas

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga as fraudes contábeis bilionárias da Americanas. Segundo a PF, desta vez a investigação busca esclarecer se acionistas de referência e representantes de grandes bancos privados tinham conhecimento das fraudes relacionadas às operações de risco sacado e às verbas de propaganda cooperada (VPCs).

Mas o que essa nova fase muda para a empresa, para as ações e para o mercado? Explicamos em 5 pontos!

1. Relembre o caso

O escândalo da Americanas veio à tona em janeiro de 2023, quando foram encontradas "inconsistências contábeis" nos balanços.

As investigações apontaram que parte relevante do problema estava ligada às operações de risco sacado, mecanismo comum no varejo para financiamento da cadeia de fornecedores. Nela, a empresa "repassa" dívidas com fornecedores para bancos, a fim de liberar crédito junto ao fornecedor e ficar com a dívida bancária.

O problema é que no caso das Americanas, essas dívidas eram retiradas do balanço como se já tivessem sido quitadas, sem que fossem devidamente registradas como obrigações financeiras junto aos bancos.

Além disso, a PF investiga supostas irregularidades envolvendo verbas de propaganda cooperada (VPCs). Nesse tipo de operação, a empresa varejista faz propagandas oferecendo os produtos de seus fornecedores, que resultam em um desconto do valor que é devido pela companhia. Mas a investigação da PF mostrou que eram contabilizadas nos balanços VPCs que não existiram ou com valores inflados.

2. O que está sendo investigado agora?

A segunda fase da Operação Disclosure busca aprofundar a apuração sobre quem tinha conhecimento das supostas fraudes e se outros agentes participaram do esquema. De acordo com a Polícia Federal, há indícios de crimes de manipulação de mercado e associação criminosa relacionados às operações de risco sacado e às VPCs.

A principal novidade agora é a ampliação do escopo da investigação. Além de ex-executivos da varejista, a PF apura a eventual participação ou conhecimento de acionistas relevantes e representantes de grandes bancos privados. Entre os nomes apontados por reportagens do Valor estão Carlos Alberto Sicupira, Eduardo Saggioro, Paulo Alberto Lemann, José Rudge, Gustavo Balassiano, Carlos Henrique Villela Pedras, Sérgio Rial, André Almeida e Alexandre Abdo.

3. Mexe com a bolsa?

Segundo analistas ouvidos pelo Valor Investe, o impacto deve ser limitado para o pregão desta quinta-feira (25), ao menos em relação à Americanas.

"Por ser algo antigo que ainda está sendo investigado, a operação é um passo adiante no sentido de responsabilizar os responsáveis pelo ocorrido, mas não traz nada novo sobre a empresa como está hoje. Acreditamos que não deva fazer preço no pregão de hoje", afirma Phil Soares, analista da Options.

Marco Saravalle, estrategista-chefe da MSX Invest e da Krivo, concorda que o impacto tende a ser marginal.

"Precisamos entender o que está sendo investigado. Mas, a princípio, não vejo grande impacto no mercado. Não acredito que mexa com o mercado. Para o mercado agora o impacto é marginal." Segundo ele, outros fatores macroeconômicos, como a divulgação do IPCA-15, também dividem a atenção dos investidores.

Mas há quem discorde. João Tonello, analista da Benndorf Research, avalia que o alcance pode extrapolar as ações da Americanas caso a investigação avance sobre instituições financeiras. "As apurações agora investigam se bancos privados tinham conhecimento das fraudes contábeis relacionadas às operações de risco sacado e participaram do esquema. Isso significa que o mercado vai monitorar hoje qualquer menção a nomes de instituições financeiras entre os alvos. Se algum banco de relevância sistêmica aparecer como investigado, o impacto pode se propagar para além da AMER3."

4. Muda algo nas ações da Americanas?

Para os especialistas, a resposta inicial é não. Pelo menos por enquanto.

Segundo Tonello, o caso investigado pela PF está relacionado ao passado da companhia e não altera, neste momento, a trajetória operacional da empresa em recuperação judicial. "Para as ações da Americanas o impacto direto é limitado. A empresa já está em recuperação judicial, já precificou o desastre há três anos e está num processo de reestruturação que vem surpreendendo positivamente."

O analista destaca que a companhia apresentou melhora operacional recente, com crescimento de receita e de geração de caixa operacional, além de aguardar autorização judicial para encerrar a recuperação judicial. "A operação de hoje investiga o passado não compromete a operação atual da empresa", afirma.

5. No que ficar de olho agora?

Para Tonello, três pontos merecem atenção ao longo dos próximos dias.

- O primeiro é a confirmação de eventuais nomes de bancos entre os investigados. "Se nomes de bancos forem confirmados como alvos, podemos esperar pressão sobre ações de instituições financeiras especialmente aquelas com maior exposição histórica às operações de risco sacado das Americanas."

- O segundo é o potencial impacto reputacional dos envolvidos. Segundo o analista, a presença de nomes ligados ao grupo de controle histórico da companhia pode gerar volatilidade. "Sicupira é figura central do capitalismo brasileiro, com participações em Ambev, AB InBev e 3G Capital."

- Por fim, o mercado acompanhará os desdobramentos regulatórios. "A CVM já apoiou a primeira fase e tende a intensificar o escrutínio sobre governança corporativa, o que pode ser positivo para o mercado no médio prazo, sinalizando que o regulador tem dentes", afirma.

Na avaliação do analista, o caso segue sendo um marco para o mercado de capitais brasileiro. "Não é história antiga. É o caso mais relevante de fraude corporativa do Brasil sendo escalado para um nível muito mais alto. O mercado pode reagir hoje a depender do que for divulgado, mas, em tese, a ação segue fraca e nada atrativa para compras. Nesse vértice, nada mudou."

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