Tesouro Direto: inflação desacelera e juros registram leve queda

Tesouro Direto: inflação desacelera e juros registram leve queda

Tesouro Direto: inflação desacelera e juros registram leve queda

Dados divulgados pelo IBGE nesta quinta dão alívio às taxas dos títulos públicos brasileiros, mas perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos contém os efeitos

A inflação acelerada, e expectativas incertas sobre os juros, foram os grandes responsáveis pela disparada das taxas dos títulos públicos brasileiros nos últimos meses. Por isso, o resultado do IPCA-15, conhecido como prévia da inflação, divulgado hoje pelo IBGE, faz as taxas recuarem. Elas deveriam recuar ainda mais, não fosse outro fator: a sinalização por parte do Federal Reserve (o banco central dos EUA) de que os juros vão subir por lá. Com isso, os títulos brasileiros ficam menos atrativos no comparativo. E os investidores pedem mais para financiar a nossa dívida.

- A aplicação no Tesouro IPCA+ 2032 paga, hoje, IPCA + 8,35% ante IPCA+8,38% na última sessão.

- A aplicação no Tesouro IPCA+ 2040 retorna IPCA + 7,58%, ante IPCA + 7,57% na última sessão

- A aplicação no Tesouro Prefixado 2029 paga 14,28%, ante 14,39% na última sessão.

- A aplicação no Tesouro Prefixado 2032 remunera 14,41%, ante 14,38% na última sessão.

A prévia da inflação do Brasil subiu 0,41% em junho. O resultado representa uma desaceleração, uma vez que em maio o índice subiu 0,62%. O que é mais importante, o indicador veio abaixo das expectativas. A projeção mediana das 29 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data apontava para uma alta de 0,44%. As estimativas iam de um avanço de 0,33% a uma alta de 0,57%.

No ano, o índice acumula alta de 3,45% e, em 12 meses, 4,80%, acima dos 4,64% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Ou seja, mesmo desacelerada, a inflação segue acima da meta e diminui o espaço que o BC tem para prosseguir com cortes na Selic.

Nos Estados Unidos, também foi divulgada hoje a taxa de inflação considerada mais importante pelo próprio Fed. E a imagem não é nada boa. Excluindo alimentos e energia, o índice de preços das despesas de consumo pessoal básicas registrou uma taxa anual de 3,4%, após um aumento de 0,3% no mês. A leitura anual foi a mais alta desde outubro de 2023. A meta de inflação do país é de 2% sobre este índice, chamado de núcleo da inflação.

O resultado mostra que o tom duro da última reunião do Fed, agora sob liderança de Kevin Warsh, é justificado. E os juros devem mesmo subir na maior economia do mundo, elevando a régua com a qual se avalia o retorno da renda fixa em todo o mundo.

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