
EUA realizam ataques no Estreito de Ormuz; entenda os impactos no mercado
Otimismo com o fim da guerra no Irã deu o tom dos mercados nesta semana. Os mercados mal fecharam, e os ataques entre os dois países dão sinais de que o conflito pode se estender
As Forças Armadas dos Estados Unidos bombardearam alvos iranianos na região do Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (26), em resposta ao ataque contra um cargueiro ocorrido no dia anterior, informou o Comando Central dos EUA (Centcom). Segundo os militares americanos, os bombardeios atingiram depósitos de mísseis e drones, além de radares costeiros iranianos.
“A agressão injustificada das forças iranianas contra a navegação comercial violou claramente o cessar-fogo. Além disso, o comportamento perigoso do Irã comprometeu a liberdade de navegação, justamente quando o comércio volta a fluir por esse corredor vital do comércio internacional”, afirmou o Centcom em comunicado nesta sexta.
O impacto dos novos ataques dos EUA sobre o memorando de entendimento assinado por Washington e Teerã na semana passada ainda é incerto. Uma de suas cláusulas proíbe que os dois países realizem ataques mútuos.
A mídia estatal iraniana informou, após a divulgação do comunicado do Centcom, que um projétil atingiu a área próxima a um píer em Sirik, no sul do Irã. Citando uma fonte militar, a imprensa iraniana acrescentou que disparos de advertência haviam sido feitos horas antes, nesta sexta-feira, contra “embarcações infratoras” no Estreito de Ormuz.
O ataque foi revelado inicialmente por Barak Ravid, repórter do Axios, na rede social X. Pouco antes, falando a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, o presidente Donald Trump afirmou que “logo descobriríamos” se os EUA tomariam alguma medida em resposta ao ataque contra um navio em Ormuz na quinta. Ele já tinha acusado Teerã de violar o cessar-fogo mais cedo na sexta.
Trump culpou o Irã pelo ataque ao navio Ever Lovely, que deixava Ormuz por uma rota próxima à costa de Omã. Segundo o Centcom, o navio foi atingido por um drone suicida iraniano. Teerã, porém, não assumiu a responsabilidade, afirmando apenas que embarcações não deveriam navegar por rotas alternativas às autorizadas por Teerã no estreito.
Na terça-feira, a ONU anunciou um esforço para iniciar a retirada de navios retidos no Golfo Pérsico desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Até então, cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural passavam por Ormuz.
Após o ataque ao navio de bandeira singapuriana na quinta-feira, a ONU anunciou a suspensão da operação, justamente quando o fluxo de exportações pelo estreito começava a se recuperar.
Como o ataque afeta o mercado?
O mercado manteve otimismo persistente em relação à negociação, após sucessivas notícias de que as conversas haviam avançado, e com a reabertura do Estreito de Ormuz ao longo desta semana. Hoje, o site Hormuz Strait Monitor indicava que 78 navios passaram pela região nas últimas 24 horas, frente a uma média diária de 60 navios. A reabertura deu forte alívio aos preços de petróleo, que caíram 10% nesta semana e retomaram o patamar de US$ 72 o barril do tipo Brent.
Com o reinício dos bombardeios, ainda que temporários, as expectativas de juros no curto prazos podem voltar a apresentar a forte volatilidade vista desde o início da guerra, quando bancos centrais de todo mundo foram obrigados a revisar as projeções para as taxas básicas de juros em vista da pressão inflacionária do petróleo sobre custos de energia e logística.
No mercado de ações, a guerra do Irã inverteu o fluxo até então para fora dos Estados Unidos, em busca de ativos em economias emergentes. Investidores voltaram a pesar o risco geopolítico e uma temporada de balanços positiva de empresas de tecnologia americana impuslionou uma retomada do assim chamado "expecionalismo americano", tese na qual as ações americanas representam as melhores oportunidades globais.
Nesse cenário, já visto em outros momentos da economia global, os EUA conciliam risco menor que demais economias com rendimentos elevados, e há uma concentração da liquidez ainda maior nos mercados de Nova York. Foi o que ocorreu nos últimos meses, com recordes nas bolsas americanas e perdas na bolsa local.
Antes, um forte rali levou o Ibovespa a registrar ganhos no primeiro trimestre superiores à Selic ao ano. Na balança, a guerra, ainda que tenha contribuído para uma forte alta nas ações da Petrobras e demais petroleiras, pesou negativamente para as ações brasileiras. Sua continuidade pode, por isso, levar o índice ainda mais para o campo negativo. Ele acumula alta de 7,6% neste ano.