
Petróleo despenca e Ibovespa sobe 3% na semana, apesar de Petrobras
Petróleo volta a US$ 72 o barril, nível anterior à guerra, e fluxo de navios no Estreito de Ormuz é retomado. Queda das ações de tecnologia nos EUA ajudam a bolsa por aqui
Mesmo após o ataque a um navio cargueiro em Ormuz ontem, os preços do petróleo mantiveram trajetória de queda e voltaram a US$ 72, nível anterior à guerra. Com leitura predominante de diminuição do risco geopolítico, a bolsa sobe por aqui, em um clima de maior por apetite por ativos globais, para o que contribui também a saída de investidores de ações de tecnologia nos Estados Unidos. As bolsas de Nova York operam próximas à estabilidade.
- O Ibovespa registrou alta de 0,79% hoje, aos 173.348 pontos. Na semana, subiu 3%, mas caminha para fechar o mês de junho próximo ao zero a zero.
- O dólar caiu 0,20%, a R$ 5,167. Na semana, encerrou praticamente estável, com alta de 0,03%.
O cenário de juros também contribui, com expectativa majoritária pelo Termômetro do Copom de queda de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto, quando ocorre a próxima reunião do Comitê de Política Monetária.
Os bancos sustentam a alta do principal índice de ações da bolsa brasileira, enquanto as petroleiras impedem um avanço maior, com papéis acompanhando o recuo do petróleo lá fora. Entre os destaques da sessão, os papéis de Braskem (BRKM5) lideram as perdas após o Citi recomendar a venda do papel e cortar pela metade o preço-alvo das ações.
O alívio geopolítico que dá o tom da sessão não foi abalado, pelo menos ainda, pelos ataques realizados por drones contra navios cargueiros no Estreito de Ormuz. O presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira (26) que o Irã violou o cessar-fogo ao impedir o fluxo livre das embarcações. A ONU suspendeu, ontem, um programa de evacuação de embarcações.
Não foi o suficiente para que os preços do petróleo deixassem de cair. O petróleo Brent, referência internacional, recua 4,3%, cotado a US$ 72 o barril. Na semana, acumula queda 10,8%. A cotação é a mesma de antes do início do conflito.
“Houve danos, mas o navio conseguiu seguir viagem”, escreveu Trump na rede Truth Social. “Abatemos outros três drones. Obviamente, trata-se de uma violação insensata do nosso acordo de cessar-fogo.”
Mais cedo, o Irã havia manifestado indignação com o que classificou como uma declaração “intervencionista, irresponsável e provocativa” dos EUA e de seis países do Golfo, que rejeitaram a posição iraniana de que poderia cobrar pedágios de embarcações que transitassem pelo estreito.
"Com a normalização do petróleo, a expectativa é que a inflação volte a desacelerar gradualmente, permitindo que a postura vigilante do Fed evolua para uma discussão sobre cortes de juros ao longo de 2027", avalia a Monte Bravo Corretora. De acordo com o site Hormuz Strait Monitor, 78 navios passaram pelo estreito nas últimas 24 horas, ante a uma média diária de 60.
Indicadores domésticos também marcam a sessão: os dados de emprego e das transações correntes podem ajudar a calibrar as apostas para os próximos passos do Banco Central, especialmente após o IPCA-15 reforçar a percepção de uma inflação mais comportada.
Segundo a Ajax Asset, o fluxo para a bolsa local continua bastante pressionado pelos estrangeiros. Já o real deve seguir em linha com depreciação dos pares emergentes, enquanto mercado de juros seguirá em descompressão das remunerações oferecidas, como visto nas taxas dos títulos do Tesouro Direto hoje.
Na leitura do Banco Sofisa, a divulgação do índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos trouxe alívio parcial às preocupações inflacionárias nos EUA. Ainda assim, o principal fator de direção dos mercados permaneceu concentrado no setor de tecnologia, marcado por elevada volatilidade. Após o rali impulsionado por resultados robustos de empresas como Micron Technology e Qualcomm, observou-se um movimento de correção, enquanto gigantes como Apple e Microsoft anunciaram aumentos de preços de seus produtos, refletindo a demanda aquecida por chips e componentes avançados.
No câmbio, o Banco Central brasileiro rocrreu hoje ao ao chamado “casadão”, caracterizado por intervenção simultânea nos mercados à vista e futuro. A estratégia consiste na venda de dólares à vista combinada à compra por meio da compra de contratos futuros da moeda americana (o chamado "swap cambial reverso"), buscando mitigar a pressão de valorização da moeda americana frente ao real. O movimento ocorre em um contexto de maior probabilidade de manutenção ou elevação de juros nos EUA ainda este ano, o que reforça a atratividade relativa do dólar, avaliou em nota à imprensa.