
RPM e IPCA-15 abrem porta para aposta em novo corte da Selic
Explicação do BC ajudou a esclarecer boa parte dos questionamentos que o mercado vinha fazendo após as últimas comunicações oficiais
Por Gabriel Roca e Gabriel Caldeira, Valor — São Paulo
Atualizado
Uma rodada adicional de questões dos agentes financeiros foi endereçada no Relatório de Política Monetária (RPM), divulgado pelo Banco Central, e, junto com dados de inflação mais baixos do que o esperado pelo mercado, abriu espaço para que investidores passassem a apostar em um novo corte de juros pelo Copom na reunião de agosto.
O dia foi marcado por um alívio no mercado de juros futuros. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 recuou de 14,32% para 14,25%, enquanto, no mercado de opções digitais de Copom, a probabilidade de manutenção da Selic nos níveis atuais na reunião de agosto caiu de 58% para 41%, e a chance de um corte de 0,25 ponto subiu de 39% para 50%.
No RPM, o Banco Central apontou que a virada do quarto trimestre de 2027 — onde se encontra seu horizonte relevante de política monetária — e o primeiro de 2028 deve ser acompanhada por um recuo de 3,7% para 3,2% em suas projeções de inflação. Em boa parte, a queda é explicada por uma revisão do hiato do produto (medida de ociosidade da economia), segundo o Itaú, juntamente com a incorporação da hipótese de um El Niño forte, cujo impacto sobre a inflação é inicialmente altista, mas passa a ser baixista após três trimestres.