EUA e Irã trocam ataques na pior tensão desde acordo; entenda os impactos no mercado

EUA e Irã trocam ataques na pior tensão desde acordo; entenda os impactos no mercado

EUA e Irã trocam ataques na pior tensão desde acordo; entenda os impactos no mercado

Os países se acusaram mutuamente de violar o acordo alcançado há duas semanas para pôr fim ao conflito que durava quatro meses

Mais um navio relatou ter sido atingido no Estreito de Ormuz neste sábado (27), após os Estados Unidos e o Irã lançarem ataques. É a pior tensão desde a assinatura do acordo de paz provisório, conforme a agência de notícias Reuters.

Os países se acusaram mutuamente de violar o acordo alcançado há duas semanas para pôr fim ao conflito que durava quatro meses. Os EUA afirmaram ter atingido alvos iranianos à noite, enquanto o Irã disse ter atacado alvos ligados às forças americanas em resposta neste sábado.

O ataque deste sábado a um petroleiro no estreito aconteceu após um ataque a um navio cargueiro na quinta-feira, que desencadeou a escalada da guerra. O Irã fez uma nova tentativa de assumir o controle da rota de transporte de energia mais importante do mundo, que começou a ser reaberta nas últimas duas semanas após ser interrompida por meses.

O Centro Conjunto de Informações Marítimas (Joint Maritime Information Center), administrado por uma coalizão de marinhas que protegem a navegação, afirmou ter elevado seu nível de alerta de segurança em decorrência dos incidentes recentes.

O Irã não comentou diretamente as notícias de ataques específicos a navios. Porém, a televisão estatal iraniana afirmou que a Guarda Revolucionária disparou "tiros de advertência" contra navios que tentavam passar por canais não autorizados pelo Irã, e que isso estaria levando outros navios a solicitarem permissões iranianas antes de cruzar o estreito.

O Irã acusou os Estados Unidos de não cumprirem o acordo provisório, em particular por não manterem o cessar-fogo prometido no Líbano, país que Israel, aliado dos EUA, invadiu em março em busca do grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã.

Israel e Líbano concordaram com acordos de cessar-fogo mediados pelos Estados Unidos, o mais recente anunciado na sexta-feira. Mas até agora esses acordos tiveram um impacto limitado. Israel insiste que não se retirará da faixa de território que ocupou e o Hezbollah rejeita os apelos para entregar suas armas enquanto as tropas israelenses continuarem no local.

A televisão estatal libanesa noticiou um ataque de drone israelense neste sábado, na área de Nabatiyeh, no sul do país, que tem sido alvo de ataques israelenses ao longo do conflito.

Ebrahim Azizi, chefe da comissão de segurança nacional do parlamento iraniano, afirmou neste sábado que qualquer violação das instruções de navegação do Irã será respondida com rigor.

"A violência será respondida com violência", disse JD Vince, o vice-presidente dos Estados Unidos, principal negociador do presidente Donald Trump para o conflito. Ele afirmou que os americanos cumpriram o acordo de cessar-fogo e que o Irã era o culpado por qualquer retorno ao conflito.

"O Irã assinou um acordo de cessar-fogo. Nós o respeitamos. Se eles discordam sobre como o memorando de entendimento está sendo aplicado, podem ligar para nós. Mas violência será respondida com violência", disse Vance.

Como tem acontecido durante a guerra, a escalada aconteceu durante o fim de semana, enquanto os mercados estavam fechados, dando aos dois lados dois dias para consolidar posições e trocar tiros sem causar um aumento imediato nos preços do petróleo.

Em casos anteriores, incluindo os dois últimos fins de semana, as palavras duras de sexta-feira e sábado foram seguidas por posições mais conciliatórias de ambos os lados, a tempo da reabertura dos mercados na segunda-feira.

Como os ataques impactam o mercado?

Centenas de navios de petróleo estão bloqueados no Golfo Pérsico desde o início da guerra. Com a sua saída pelo estreito nas últimas duas semanas, os preços do petróleo caíram para níveis próximos aos anteriores à guerra, devido ao consequente aumento da oferta. Porém, a resolução completa da crise energética global exigiria a manutenção do tráfego pelo estreito nos níveis pré-guerra.

O mercado manteve otimismo persistente em relação à negociação, após sucessivas notícias de que as conversas haviam avançado, e com a reabertura do Estreito de Ormuz ao longo da última semana. A reabertura deu forte alívio aos preços de petróleo, que caíram 10% na semana e retomaram o patamar de US$ 72 o barril do tipo Brent.

Com o reinício dos bombardeios, ainda que temporários, as expectativas de juros no curto prazos podem voltar a apresentar a forte volatilidade vista desde o início da guerra, quando bancos centrais de todo mundo foram obrigados a revisar as projeções para as taxas básicas de juros em vista da pressão inflacionária do petróleo sobre custos de energia e logística.

No mercado de ações, a guerra do Irã inverteu o fluxo até então para fora dos Estados Unidos, em busca de ativos em economias emergentes. Investidores voltaram a pesar o risco geopolítico e uma temporada de balanços positiva de empresas de tecnologia americana impuslionou uma retomada do assim chamado "expecionalismo americano", tese na qual as ações americanas representam as melhores oportunidades globais.

Nesse cenário, já visto em outros momentos da economia global, os EUA conciliam risco menor que demais economias com rendimentos elevados, e há uma concentração da liquidez ainda maior nos mercados de Nova York. Foi o que ocorreu nos últimos meses, com recordes nas bolsas americanas e perdas na bolsa local.

Antes, um forte rali levou o Ibovespa a registrar ganhos no primeiro trimestre superiores à Selic ao ano. Na balança, a guerra, ainda que tenha contribuído para uma forte alta nas ações da Petrobras e demais petroleiras, pesou negativamente para as ações brasileiras. Sua continuidade pode, por isso, levar o índice ainda mais para o campo negativo. Ele acumula alta de 7,6% neste ano.

*Com agência de notícias Reuters e Valor PRO, serviço de informações em tempo real do jornal Valor Econômico.

← Finance & Crypto