
Bolsa ensaia retomada técnica, mas ainda precisa convencer o investidor estrangeiro
Saldo do Dia: Pregão morno mascarou os próximos desafios da bolsa, que terá nos dados de emprego dos Estados Unidos o principal teste para os ativos brasileiros nesta semana
As análises gráficas voltaram a apontar para cima. Mas o mercado ainda parece tímido. Em uma segunda-feira (29) de liquidez reduzida, a bolsa encontrou pouco espaço para testar a recuperação técnica desenhada nas últimas sessões. Em dia de mata-mata da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, o baixo volume financeiro adiou um veredito que deve ficar para os próximos dias.
- O Ibovespa fechou estável, em leve baixa de 0,05%, nos 173.205 pontos. No mês, as perdas até aqui são de 0,3%. No ano, a valorização acumulada pela carteira está em 7,5%.
- O giro financeiro do Ibovespa somou R$ 10,2 bilhões, quase 45% abaixo tanto da média de junho (R$ 18,5 bilhões) quanto da média diária dos últimos 12 meses (R$ 18,4 bilhões).
O próximo degrau está logo acima
Falta pouco mais de 1% para que o Ibovespa alcance a faixa entre 175 mil e 176 mil pontos, onde os analistas técnicos enxergam a confirmação de uma retomada da tendência de alta.
A distância parece curta, mas talvez o maior desafio não esteja nos pontos do índice. Está em convencer o investidor, especialmente o estrangeiro, de que vale a pena voltar a comprar a bolsa do Brasil.
O investidor estrangeiro retirou R$ 8,7 bilhões da B3 apenas em junho e continua sendo a principal peça que falta para sustentar uma recuperação mais consistente da bolsa, embora ainda acumule entrada líquida de R$ 32,8 bilhões no ano.
Essa saída de recursos no mês coloca em xeque o principal combustível de uma recuperação mais consistente da bolsa: o fluxo de capital novo.
É justamente por isso que o mercado atravessa a semana olhando mais para os Estados Unidos do que para o Brasil.
O payroll de quinta-feira pode mexer nas apostas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e, por consequência, na disposição do capital estrangeiro de voltar aos mercados emergentes.
Hoje, a principal aposta em Wall Street aponta para uma alta de 0,25 ponto percentual dos juros americanos em setembro, segundo o CME Group. Mas uma parcela do mercado já começa a colocar na mesa um aperto de 0,50 ponto.
Mais do que isso, as apostas incorporam novos aumentos nas reuniões de outubro e dezembro, consolidando a percepção de que o ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos pode seguir até o fim do ano.
A renda fixa americana volta a ficar mais atraente toda vez que o mercado passa a enxergar juros mais altos por mais tempo. E competir com os Treasuries nunca foi tarefa simples.
Quanto maior o retorno oferecido pelo ativo considerado o mais seguro do mundo, menor tende a ser o apetite do investidor estrangeiro por mercados como o Brasil.
Se a tese de um Fed mais duro ganhar força, a concorrência pelo dinheiro que hoje faz falta ao Ibovespa tende a aumentar.
Se, por outro lado, o payroll esfriar as apostas de aperto monetário, a bolsa brasileira pode finalmente encontrar o fluxo que ainda falta para transformar a melhora dos gráficos em uma recuperação mais consistente.
Fato é que, enquanto Wall Street discute até onde os juros americanos ainda podem subir, o mercado brasileiro passou a debater quando a Selic deve cair de novo.
Os juros futuros voltaram a recuar nesta segunda-feira e estenderam o movimento de alívio que ganhou força na semana passada. Assim como nas últimas sessões, as taxas de curto e médio prazo concentraram a queda à medida que os investidores passaram a apostar em um novo corte da Selic.
O mercado atribui atualmente 60% de probabilidade de uma redução de 0,25 ponto na reunião de agosto, segundo o Termômetro do Copom, do Valor Investe.
- A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 saiu de 14,16% para 14,10% no fim da sessão. Prêmios em contratos de curto prazo estão mais ligados às expectativas dos investidores para a Selic;
- A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2031 passou de 14,34% para 14,265%. Vencimentos mais longos refletem uma maior preocupação com calote do governo.
O mercado de câmbio acompanhou o ritmo mais lento dos negócios nesta segunda-feira e a moeda americana encerrou o dia praticamente estável em relação ao real.
- O dólar à vista encerrou no zero a zero, a R$ 5,17. No mês, acumula alta de 2,6% contra o real. No ano, o dólar recua 5,7% no mercado de câmbio local.
Comportamento das ações do Ibovespa em 29/06/2026