Comprar ações na máxima histórica vale a pena? O que mostram 15 anos de bolsa

Comprar ações na máxima histórica vale a pena? O que mostram 15 anos de bolsa

Comprar ações na máxima histórica vale a pena? O que mostram 15 anos de bolsa

Simulação da Rico comparou duas estratégias de investimento em ações durante até 15 anos e mostrou qual delas acumulou o maior retorno

Se você investe em ações, muito provavelmente já passou por esse dilema: depois de uma sequência de altas, bate a dúvida sobre fazer um aporte ou esperar uma queda. Afinal, comprar um ativo justamente quando ele alcança o maior preço da história parece, à primeira vista, uma decisão arriscada. Um estudo feito pela Rico, porém, mostra que essa percepção nem sempre se confirma.

A corretora simulou o desempenho de um investidor que aplicou seu dinheiro apenas quando os principais índices renovaram suas máximas e comparou o resultado com o de quem simplesmente investiu o mesmo valor todos os meses, sem tentar acertar o melhor momento de entrada.

A comparação reúne dados de até 15 anos do Ibovespa, do Índice de Dividendos da B3, conhecido como IDIV, e do S&P 500, principal índice da bolsa americana.

Os resultados mostram que investir nesses momentos pode, sim, gerar bons resultados no longo prazo. Nos três mercados analisados, os retornos superaram a rentabilidade de investimentos considerados livres de risco.

O desempenho, no entanto, ficou abaixo do obtido por quem manteve aportes mensais. Em todos os cenários, o investidor que aplicou um valor de forma recorrente terminou o período com um patrimônio maior do que aquele que esperou pelos recordes para investir.

Isso significa que, na prática, a regularidade dos aportes tende a pesar mais na construção do patrimônio do que a tentativa de encontrar o momento ideal para entrar na bolsa.

Ibovespa mostra o custo de esperar

O caso do Ibovespa ajuda a explicar por que esperar pelo momento considerado ideal pode não ser a melhor estratégia.

Embora o estudo acompanhe um período de 15 anos, a primeira compra baseada em um novo recorde só aconteceu em setembro de 2017. Isso porque o principal índice da bolsa brasileira levou mais de seis anos para voltar ao patamar recorde alcançado em 2011.

Em outras palavras, quem adotou a regra de fazer aportes apenas quando o Ibovespa renovou suas máximas ficou mais de seis anos sem fazer um único aporte em ações.

Entre setembro de 2017 e abril de 2026, a estratégia realizou 29 aportes, que começaram em R$ 1 mil e foram corrigidos pela inflação ao longo do período, somando R$ 35.786. Ao final da simulação, o patrimônio alcançou R$ 57.817, um retorno de 61,6%.

O desempenho foi superior ao do CDI, indicador usado como referência da renda fixa pós-fixada, que no período entregou uma rentabilidade de 52,3%.

Ainda assim, ficou atrás do resultado obtido por um investidor que aplicou o mesmo montante em parcelas mensais ao longo do período. Nesse cenário, o patrimônio chegou a R$ 63.329, R$ 5,5 mil a mais do que o obtido por quem investiu apenas quando o Ibovespa renovou suas máximas.

Ibovespa

IDIV lidera em rentabilidade

O resultado que mais chamou atenção entre os índices nacionais apareceu no IDIV, que reúne empresas com histórico consistente de distribuição de dividendos.

Nesse caso, investir apenas quando o índice renovou sua máxima resultou em um patrimônio de R$ 201.825 para um total aplicado de R$ 88.480. O retorno acumulado foi de 128,1% em 15 anos, acima do CDI no mesmo intervalo.

A estratégia, porém, voltou a perder para os aportes mensais: quem investiu o mesmo valor todos os meses encerrou o período com R$ 281.383, R$ 79,6 mil a mais do que quem deixou para investir em momentos de recordes do índice.

Na avaliação da Rico, o resultado está relacionado às características das empresas que compõem o IDIV. Em geral, são companhias que apresentam geração de caixa mais previsível e bom histórico de distribuição de dividendos, o que tende a favorecer uma valorização mais estável ao longo do tempo.

IDIV

S&P 500 mostra a força dos aportes mensais

Entre os indicadores utilizados no estudo, o S&P 500 foi o que apresentou o maior ganho absoluto da simulação.

Considerando um investidor brasileiro que converte reais em dólares a cada aplicação, o patrimônio construído com aportes feitos apenas em períodos de recordes cresceu 165,6% em dólares ao longo do intervalo analisado.

Em reais, impulsionado também pela valorização da moeda americana, o patrimônio equivalente chegou a R$ 445.955.

Ao contrário do Ibovespa, o mercado americano passou boa parte dos últimos anos renovando recordes. Por isso, a estratégia realizou 88 aportes entre março de 2013 e abril de 2026.

Mesmo assim, o investimento mensal apresentou desempenho superior: enquanto a estratégia baseada em recordes acumulou US$ 89.198, os aportes mensais terminaram o período com US$ 92.937.

Segundo o estudo, mercados que permanecem em tendência de alta por um longo período acabam premiando quem investe de forma recorrente, já que esperar por um momento específico pode reduzir o tempo de exposição à valorização das ações.

S&P 500

*Os aportes foram feitos em reais e convertidos para dólares na data de cada aplicação.

O principal aprendizado para o investidor

Os resultados mostram que comprar ações quando a bolsa renova recordes não significa, necessariamente, entrar tarde demais. Nos três índices analisados, essa estratégia entregou retornos superiores aos investimentos em renda fixa.

Mas isso não quer dizer que esperar pelas máximas seja o melhor caminho.

Em todos os cenários avaliados, o investidor que fez aportes mensais acumulou um patrimônio maior do que aquele que aguardou um novo topo para investir.

No caso do Ibovespa, essa diferença foi ainda mais evidente. Como o índice passou mais de seis anos sem renovar sua máxima, quem seguiu essa regra ficou todo esse tempo sem comprar ações e acabou perdendo parte da valorização do mercado.

No fim das contas, os números mostram que o tempo investido no mercado pesa mais na construção do patrimônio do que acertar o momento exato de cada aporte.

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