Dívida e inflação pesam mais que emprego e travam bem-estar

Dívida e inflação pesam mais que emprego e travam bem-estar

Dívida e inflação pesam mais que emprego e travam bem-estar

Efeito modesto da isenção do IR também ajuda a explicar por que sentimento não melhora na população, segundo FGV Ibre

Por Anaïs Fernandes, Valor — São Paulo

Atualizado

A amplificação do endividamento das famílias e o efeito apenas modesto da ampliação da isenção do Imposto de Renda são fatores que, junto com mudanças estruturais no perfil da população brasileira e a alta nos preços da alimentação, ajudam a explicar por que o desempenho bastante positivo do mercado de trabalho não tem sido acompanhado de melhora equivalente na percepção de bem-estar econômico pelas pessoas. É o que apontam os pesquisadores Fernando de Holanda Barbosa Filho, Paulo Peruchetti e Janaína Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre).

Essa percepção menos benigna de bem-estar se reflete, por exemplo, no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) calculado pela FGV, que está abaixo dos 100 pontos — em território negativo, portanto — há alguns anos. O mesmo vale para o índice desagregado nas diversas faixas de renda, ainda que tenha havido melhora relativa este ano para quem ganha até R$ 2.100 por mês.

A percepção desfavorável aparece também na pesquisa Quaest-Genial de maio deste ano, em que 69% dos brasileiros consideraram seu poder de compra menor do que um ano atrás e apenas 9% disseram que a renda aumentou mais que o custo de vida. São resultados que contrastam com as altas reais expressivas da renda média e da massa salarial registradas pelo IBGE, observam os pesquisadores do FGV Ibre.

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