Bitcoin fecha pior semestre desde 2022 e perde mais de 30%: é o fundo do poço?

Bitcoin fecha pior semestre desde 2022 e perde mais de 30%: é o fundo do poço?

Bitcoin fecha pior semestre desde 2022 e perde mais de 30%: é o fundo do poço?

Mais da metade da oferta da criptomoeda está no prejuízo, enquanto resgates recordes dos ETFs e juros elevados nos EUA mantêm pressão sobre o mercado

O Bitcoin (BTC) encerra o primeiro semestre do ano com um sinal que não aparecia desde o último "inverno cripto". Pela primeira vez desde dezembro de 2022, mais da metade da oferta da principal representante do mercado de criptoativos está no prejuízo.

Nesta terça-feira (30), o Bitcoin é negociado no patamar dos US$ 58 mil, encerrando junho com queda de cerca de 20% e acumulando desvalorização de 33% no primeiro semestre de 2026. Desde a máxima histórica de US$ 126 mil, registrada em outubro do ano passado, a perda acumulada já chega a cerca de 53%.

Nesse contexto, Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin (MB), pontua que apenas 46,3% da oferta total de bitcoins permanece em lucro atualmente. "A última vez em que esse indicador atingiu níveis tão baixos foi no fim de dezembro de 2022, quando o Bitcoin era negociado próximo de US$ 16,5 mil, praticamente na região do fundo absoluto daquele ciclo, em torno de US$ 15,5 mil", conta.

Para Tota, no entanto, esse indicador não garante que o preço do criptoativo tenha atingido um novo fundo agora, mas mostra que os preços voltaram a uma região que, em ciclos anteriores, antecedeu fortes recuperações. "Estamos em uma região historicamente associada a momentos de maior assimetria para estratégias de médio e longo prazo e oferece boa oportunidade para investidores dispostos a suportar volatilidade."

Para André Franco, CEO da Boost Research, o fechamento do mês evidencia o impacto da saída de investidores institucionais. "Junho ainda foi o pior mês dos ETFs desde o lançamento, com cerca de US$ 4 bilhões em resgates e o IBIT da BlackRock à frente das saídas."

Segundo ele, o índice de medo e ganância permanece em 15 pontos, nível de "medo extremo", enquanto a divulgação de um índice de inflação (o PCE) acima do esperado reforçou a expectativa de que o Federal Reserve mantenha os juros elevados por mais tempo. Hoje, o mercado atribui cerca de 70% de probabilidade de manutenção das taxas na reunião de julho.

Na avaliação de Gil Herrera, diretor de estratégia e operações da Bitget na América Latina, a pressão continua concentrada nos ETFs de Bitcoin negociados nos Estados Unidos. Segundo ele, os fundos registraram mais um dia de saídas líquidas, ampliando "a maior retirada mensal da história desses produtos", em janeiro de 2024.

Dados da Glassnode mostram que cerca de 71,6 mil Bitcoins — o equivalente a mais de US$ 4 bilhões — deixaram os ETFs apenas em junho.

Para os analistas, os próximos dias serão decisivos para definir se o mercado conseguirá interromper a correção. O foco permanece na evolução dos fluxos dos ETFs, na capacidade do Bitcoin de recuperar o patamar de US$ 60 mil e em eventuais sinais de melhora no cenário macroeconômico. Caso as saídas de recursos diminuam e os principais níveis de suporte sejam preservados, o mercado poderá encontrar espaço para uma recuperação ao longo do terceiro trimestre.

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