
Bolsas de NY fecham semestre com melhor desempenho em anos; Nasdaq tem maior alta trimestral desde 2020
S&P 500 também registra seu melhor trimestre desde a recuperação da pandemia; Dow Jones tem melhor semestre desde 2021; bolsas europeias também registraram novos recordes
As bolsas de Nova York encerraram o último pregão do mês e do primeiro semestre de 2026 em alta, nesta terça-feira (30), consolidando o melhor desempenho dos principais índices americanos em vários anos. O otimismo com os resultados das empresas, a economia dos Estados Unidos e o arrefecimento das tensões no Oriente Médio sustentou a recuperação do mercado ao longo do segundo trimestre.
No acumulado de abril a junho, o S&P 500 avançou 14,9% e o Nasdaq disparou 21,4%, registrando, em ambos os casos, o melhor desempenho trimestral desde o segundo trimestre de 2020, quando os mercados reagiam à recuperação após o choque inicial da pandemia de Covid-19. O Dow Jones, por sua vez, subiu cerca de 13% no trimestre, seu melhor resultado desde o quarto trimestre de 2022.
O balanço do semestre também foi positivo. O Dow Jones acumulou valorização de 8,9%, registrando seu melhor primeiro semestre desde 2021. O S&P 500 ganhou 9,6% nos seis primeiros meses do ano, enquanto o Nasdaq avançou mais de 12%.
Outro destaque foi o Russell 2000, índice que reúne empresas de menor capitalização, as small caps. Com alta próxima de 22% no semestre, ele teve seu melhor desempenho para um primeiro semestre desde 1991.
Apesar da forte volatilidade que marcou o início do ano — provocada pelas incertezas em torno da guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos e pelas dúvidas sobre o ritmo dos investimentos em inteligência artificial —, o mercado encontrou suporte na resiliência da economia americana e na temporada de balanços corporativos, conforme apontam agências internacional.
Para o segundo semestre, a expectativa de analistas é de uma ampliação da recuperação para setores além das gigantes de tecnologia. Estrategistas do Bank of America apontam ações de perfil mais cíclico e ligadas à economia real, como os setores financeiro e de energia, entre as apostas para os próximos meses, embora a perspectiva de juros elevados pelo Federal Reserve continue no radar dos investidores.
Mercado europeu
Os principais índices de ações da Europa também tiveram forte valorização nesta terça-feira, com o índice pan-europeu Stoxx 600 renovando seu recorde de fechamento, impulsionado pelas empresas do setor de tecnologia. Houve também certo alívio dos investidores com as tensões no Oriente Médio, embora as incertezas permaneçam elevadas. O Stoxx 600 registrou seu melhor trimestre desde 2020.
O arrefecimento das tensões no Oriente Médio e a reabertura do Estreito de Ormuz contribuíram para impulsionar as bolsas europeias nas últimas semanas, embora a incerteza permaneça elevada. Os Estados Unidos e o Irã concordaram em reduzir as hostilidades após ataques recentes, o que trouxe certo alívio aos investidores, mas ainda está incerto se representantes de ambos os lados irão se reunir para uma nova rodada de negociações de paz nesta semana.
O Jefferies tem uma visão otimista para os ativos de risco no próximo mês. O economista-chefe do banco para a Europa, Mohit Kumar, acredita que o excesso de liquidez no sistema, a ausência de necessidade de novas altas de juros pelos bancos centrais, a sazonalidade favorável e um posicionamento dos investidores que ainda não parece excessivamente concentrado sugerem que "julho deverá ser um mês de desempenho superior para os ativos de risco".