
Confira as 10 ações que mais caíram em junho e no primeiro semestre do ano
Companhias mais expostas ao ciclo econômico, ao endividamento ou a dificuldades operacionais figuraram entre as que mais sofreram no período
Se as maiores altas de junho ficaram concentradas em empresas com resultados previsíveis e gatilhos bem definidos, o ranking das ações com as maiores desvalorizações contou uma história oposta. Companhias mais expostas ao ciclo econômico, ao endividamento ou a desafios operacionais figuraram entre as que mais sofreram com as vendas dos investidores.
Em um ambiente de juros elevados, crédito mais restrito e maior cautela dos investidores, empresas mais dependentes da recuperação da atividade econômica ou com desafios de endividamento seguiram concentrando as maiores perdas do Ibovespa. Não por acaso, CSN (CSNA3) e Magazine Luiza (MGLU3) aparecem entre as ações que mais caíram tanto em junho (-31% e -21,7%) quanto no acumulado do primeiro semestre (-48,3% e -47,2%).
"As maiores quedas permaneceram concentradas em setores mais cíclicos e endividados, como siderurgia, mineração, varejo discricionário, educação e parte do segmento de saúde, que seguem mais sensíveis ao custo de capital, à dinâmica de crédito e às incertezas regulatórias", afirma Dyego Galdino, CEO da Global 360 Invest.
Para Igor Monteiro, CEO da EqSeed, o mercado mudou de postura ao longo do semestre. Segundo ele, o fluxo de recursos estrangeiros perdeu força e deu lugar a uma seleção mais criteriosa das empresas. "O semestre começou com uma alta mais ampla, sustentada pelo fluxo estrangeiro para grandes empresas, mas terminou com um mercado mais cauteloso e seletivo. Nesse contexto, foram premiadas companhias com fundamentos sólidos, previsibilidade de resultados e catalisadores claros, enquanto empresas mais expostas a endividamento elevado ou a expectativas de longo prazo ficaram para trás."
A CSN é um dos exemplos dessa mudança de percepção. Além do cenário ainda desafiador para o setor siderúrgico, a companhia segue pressionada pelas preocupações em torno do nível de endividamento.
"A CSN não tem conseguido avançar em diversas questões de crédito, teve nota de crédito cortada, houve corte de pessoal e a questão da CSN Cimentos talvez traga algum alívio", afirma Alexandre Pletes, chefe de renda variável da Faz Capital.
Já o Magazine Luiza continua sofrendo para convencer o mercado de que conseguirá retomar o crescimento em um ambiente de juros elevados e concorrência acirrada. "Faz muito tempo que o Magalu vem com problemas, não consegue ter uma penetração no mercado, os grandes players amassaram ela e segue em uma situação difícil", diz Pletes.
Empresas cujo valor de mercado depende mais das expectativas de crescimento futuro também perderam espaço nesse ambiente, caso da Totvs, citada por Monteiro entre as companhias afetadas pela menor disposição dos investidores em pagar múltiplos elevados.
Braskem foge à regra e lidera perdas
Embora a maior parte das ações do ranking tenha sido penalizada pelo ambiente mais seletivo da bolsa, a Braskem (BRKM5) liderou as perdas de junho (-39,2%) por razões específicas da companhia. A petroquímica continua enfrentando dificuldades para renegociar seu passivo e viu sua percepção de risco aumentar ao longo do mês.
"A Braskem não está conseguindo negociar com os credores, tem uma pressão muito alta, corte de pessoal, redução da classificação de risco e, inclusive, lá fora está com classificação da S&P de calote", afirma Pletes.
Paradoxos
O encerramento do período também revela alguns paradoxos do semestre. Prio (PRIO3) figura entre as maiores quedas de junho (-16%), mas continua entre as ações com melhor desempenho no acumulado do ano (+25,9%). A correção veio depois que o petróleo devolveu parte da alta registrada durante a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, reduzindo o ímpeto das petroleiras independentes no fim deste mês.
Situação semelhante ocorreu com a Usiminas (USIM5). A siderúrgica lidera a valorização do Ibovespa no acumulado de 2026 (+42%), mas terminou junho entre as maiores baixas dos papéis que compõem o Ibovespa (-23,7%). Segundo Pletes, a forte alta do semestre refletiu a recuperação de um papel que negociava com desconto em relação aos concorrentes.
Na prática, os movimentos mostram que o mercado passou a separar cada vez mais as histórias das empresas. Se o primeiro semestre começou com uma aposta ampla na bolsa brasileira, o encerramento de junho deixou claro que o investidor passou a privilegiar companhias com fundamentos mais sólidos e catalisadores específicos, enquanto setores mais cíclicos e empresas com desafios operacionais ou financeiros continuaram ficando para trás.
Dez maiores quedas em junho
Dez maiores quedas no primeiro semestre