
J.P. Morgan muda recomendação para Braskem (BRKM5) e ações despencam
Analistas do maior banco dos EUA destacam que o processo de reestruturação passou a ofuscar os fundamentos da companhia petroquímica
Por Adriana Peraita, Valor — São Paulo
Atualizado
As ações da petroquímica Braskem (BRKM5) operam em forte queda no pregão desta terça-feira (30), repercutindo o último relatório do J.P. Morgan. Por volta de 15h, o papel recuava mais de 5%. Mais cedo chegou a perder quase 10%.
O maior banco dos Estados Unidos rebaixou a recomendação para as ações da Braskem de compra para neutra, afirmando que o processo de reestruturação passou a ofuscar os fundamentos da petroquímica. A instituição financeira também cortou o preço-alvo para os papéis pela metade, de R$ 15 para R$ 7,50.
A equipe de análise do banco havia feito o “upgrade” da Braskem há pouco mais de um mês, quando destacou a nova estrutura de governança da companhia, capitaneada pela IG4 e pela Petrobras, além de um cenário que se mostrava mais favorável para o setor, em meio à guerra no Oriente Médio.
Embora os “spreads” de resinas e químicos se mantenham em patamares superiores aos de antes do conflito, o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã erodiu a durabilidade que sustentava a visão “construtiva” do banco, segundo escrevem os analistas, em um relatório desta terça-feira.
A mudança de perspectiva levou o banco a reduzir o Ebitda estimado para a Braskem neste ano em 20,1% ante a projeção anterior, para US$ 2,2 bilhões. Ebitda é a sigla em inglês para lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização.
Além disso, eles observam a divulgação pela Braskem da proposta de reestruturação que foi apresentada a credores deu maior visibilidade sobre as negociações. “Os documentos divulgados deixam pouca margem para dúvidas de que os credores esperam uma participação maior dos acionistas no ônus da reestruturação; o que ainda permanece incerto é a forma que essa participação assumirá”, afirma o J.P. Morgan.
“Os desfechos podem variar desde medidas de apoio operacional e ao capital de giro até aportes diretos de capital pelos acionistas ou soluções envolvendo emissão de ações com maior potencial de diluição”, completa o banco.
Na visão dos analistas, a recuperação extrajudicial continua sendo a saída mais provável para a Braskem, ao passo que a recuperação judicial é o principal risco caso as negociações fracassem.
Conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor Econômico.