
Quais ações mais subiram em junho e no primeiro semestre? Confira as 10 maiores altas
Depois de um início de ano marcado pela entrada de capital estrangeiro e pela valorização generalizada das ações, junho foi marcado por uma seleção mais criteriosa de empresas com fundamentos sólidos e resultados previsíveis
Junho consolidou uma mudança de comportamento dos investidores na bolsa brasileira. Depois de um início de ano marcado pela entrada de capital estrangeiro e pela valorização mais disseminada das ações, o mercado passou a selecionar empresas com fundamentos mais sólidos, resultados previsíveis e catalisadores específicos. Esse movimento ajudou a colocar as ações de companhias de saneamento, seguradoras e infraestrutura entre as maiores altas do mês e também do primeiro semestre.
No entanto, alguns papéis mantiveram uma maior constância, figurando entre os destaques positivos tanto no mês quanto no primeiro semestre. A liderança entre os papéis que compõem o Ibovespa, principal índice da bolsa, a B3, ficou com a Copasa (CSMG3). A companhia mineira liderou os ganhos de junho (+14,3%) e aparece na segunda melhor posição no acumulado do primeiro semestre do ano (+37,18%), impulsionada pela conclusão da privatização.
"Era um processo que era esperado de se acontecer. Começou a subir antes do fato de ser concretizada a privatização, porque o movimento da Sabesp já tinha sido enxergado pelo mercado. Ela antecipou alguns movimentos e começa novamente um processo de alta depois da privatização", afirma Alexandre Pletes, chefe de renda variável da Faz Capital.
Além da Copasa, outro grupo que aparece repetidamente entre os destaques positivos é o das seguradoras. Caixa Seguridade (CXSE3) figura entre as maiores altas tanto de junho (+11,3%) quanto do acumulado do ano (+23,4%), enquanto Porto (PSSA3) e BB Seguridade (BBSE3) também aparecem entre os destaques do mês, ambas com ganhos de 10%.
Para Pletes, a combinação de juros elevados por mais tempo, baixo risco operacional e forte distribuição de dividendos continua favorecendo o setor. No caso da Caixa Seguridade, ele acrescenta que a companhia também é beneficiada pelo Minha Casa, Minha Vida. "Os juros mais altos fazem com que a receita financeira continue elevada”, afirma. “Com a quantidade de contratos e clientes que possui, o risco é bem baixo e, com o dividendo elevado, segue sendo uma das grandes opções do setor."
Na avaliação de Dyego Galdino, CEO da Global 360 Invest, esse desempenho reflete um movimento mais amplo de migração para empresas consideradas mais resilientes. "Fechamos junho com um mercado bem mais seletivo na Bolsa. Enquanto o Ibovespa andou de lado e segue volátil, utilities, seguradoras e alguns casos específicos de infraestrutura e energia voltaram a se destacar, impulsionados pela expectativa de queda gradual dos juros e pelo avanço de agendas de eficiência e privatização."
Igor Monteiro, CEO da EqSeed, também vê uma mudança importante ao longo do semestre. Segundo ele, o fluxo de recursos estrangeiros perdeu intensidade nos últimos meses e deu lugar a uma seleção mais criteriosa das empresas. "O semestre começou com uma alta mais ampla, sustentada pelo fluxo estrangeiro para grandes empresas, mas terminou com um mercado mais cauteloso e seletivo. Nesse contexto, foram premiadas companhias com fundamentos sólidos, previsibilidade de resultados e catalisadores claros."
Paradoxos
O ranking do semestre, porém, também mostra alguns contrastes. Petrobras (PETR4) permanece entre as maiores altas do ano (+25,8%), beneficiada pela disparada do petróleo durante a escalada do conflito entre Israel e Irã e pela elevada rentabilidade de sua produção. "Petrobras ainda é um player que tem um custo de extração muito baixo, margens elevadíssimas e, mesmo com o petróleo nesses patamares, deve ainda ter uma boa performance", afirma Pletes.
Ao mesmo tempo, outras petroleiras independentes, como Prio (PRIO3) e PetroReconcavo (RECV3), ficaram entre as maiores quedas de junho (-16% e -12%), refletindo a realização de lucros após a redução das tensões no Oriente Médio e a devolução de parte da alta do petróleo no fim do mês. No primeiro semestre, no entanto, Prio segue entre as maiores altas, com valorização de 25,9%
Outro paradoxo aparece na Usiminas (USIM5). A siderúrgica lidera os ganhos acumulados do ano (+42%), impulsionada pela recuperação de um papel que negociava com desconto em relação aos pares. "Usiminas acabou sendo uma grande opção e figura como maior alta do ano. O preço estava muito amassado e a companhia passou a oferecer uma boa relação de valuation", diz Pletes.
Apesar disso, a ação da siderúrgica terminou junho entre as maiores quedas da bolsa (-31%), mostrando como o mercado passou a revisar posições em setores mais cíclicos ao longo do mês.
Melhores de junho
Melhores no primeiro semestre