
Com dados no radar, crescem apostas para novo corte da Selic
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Após os dados de emprego do Caged virem mais fracos do que o esperado, o mercado voltou a apostar com mais força em um novo corte da Selic em agosto, o que deve se refletir nos mercados. O dia ainda será marcado por novos dados de emprego nos Estados Unidos, que também podem ajudar a calibrar a expectativa de juros por lá. Como pano de fundo, estão as negociações dos EUA e Irã.
O que os dados mostram?
Ontem (30), o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou que o mercado de trabalho arrefeceu no Brasil. A diferença entre contratações com carteira e demissões apontou para a criação de 72.960 novas vagas em maio, a menor para o mês desde 2020. O número veio bem abaixo das estimativas coletadas pelo Valor, de 120 mil novos postos.
Por um lado, esse sinal de economia menos aquecida pode acender um alerta, afinal, menos pessoas estão sendo contratadas. Por outro lado, uma atividade mais fraca tem menos pressões inflacionárias. Em um período de incerteza sobre o tamanho do impacto da guerra no Oriente Médio sobre a alta dos preços mundo afora, esse desaquecimento pode vir a calhar.
Não à toa, as apostas em um novo corte da Selic na próxima reunião aumentaram. O Termômetro do Copom, ferramenta do Valor Investe que mostra as apostas do mercado com base em contratos negociados na B3, mostrou que 70% dos investidores acreditam em um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto. Já 28% acreditam em uma manutenção.
Enquanto isso, nos EUA…
Nos Estados Unidos, o relatório Jolts mostrou que o mercado segue aquecido por lá. Foram criadas 7,6 milhões de vagas em maio, acima das expectativas e no mesmo ritmo observado em abril. Portanto, as pressões inflacionárias permanecem fortes. Com isso, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode ter menos espaço para cortar os juros.
Hoje, saem os dados da pesquisa ADP Research Institute, que reúne os números do setor privado norte-americano, que podem reforçar as apostas de juros mais altos por mais tempo.
E a guerra?
As conversas entre Estados Unidos e Irã parecem continuar avançando. É bem verdade que o Irã afirmou que não participará de novas negociações até que as condições estabelecidas em um memorando assinado com os EUA seja, cumpridas.
Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador de Teerã, afirmou que a passagem sem custos pelo Estreito de Ormuz será permitida por apenas 60 dias, conforme previsto no memorando e anunciou que seu país já exportou mais de 40 milhões de barris de petróleo desde o fim do bloqueio naval americano. Ele ainda anunciou, sem dar detalhes, a decisão de que Irã, EUA e Líbano estabelecerão um comitê para supervisionar o fim da guerra no Líbano.
Em meio a esse cenário, o petróleo segue comportado. Por volta das 7h35, o Brent (referência global) era negociado em queda de 1,17%, a US$ 72,10 o barril. Já o WTI (referência global) caía 1,27%, a US$ 68,62.