
Ibovespa fecha em queda com sanções dos EUA contra PCC trazendo ruídos ao mercado; dólar vai a R$ 5,21
O Ibovespa, principal índice da bolsa, não acompanhou o alívio trazido por falas do novo presidente do BC dos EUA sobre o controle da inflação, que impacta diretamente na política de juros do país e direciona o capital dos investidores
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, a B3, encerrou o pregão desta quarta-feira (1º) em queda, com dificuldade para acompanhar o alívio no exterior trazido pelas declarações do novo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) nesta quarta-feira (1º). Já o dólar avançou com força. O anúncio de que os Estados Unidos impuseram sanções a três empresas e dois cidadãos brasileiros por suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) trouxe ruídos ao mercado.
- O Ibovespa recuou 0,20%, a 171.689 pontos.
- O dólar subiu 0,88%, cotado a R$ 5,21, no mesmo horário.
O dia já era mais negativo para os ativos de maior risco, mas as sanções do governo americano aumentaram ainda mais a percepção de risco dos investidores brasileiros. Apesar das companhias afetadas serem pouco relevantes, a sensação no mercado é que a ação americana cria incertezas e precedentes, em um ambiente em que os ativos brasileiros já estão sofrendo.
Na contramão, no exterior, o humor dos investidores chegou a melhorar após as declarações do presidente do Fed no Fórum de Sintra, em Portugal. Ele afirmou que “os riscos à inflação parecem ter diminuído nas últimas semanas", o que contribuiu para uma redução nos rendimentos dos títulos públicos americanos, os chamados Treasuries, e abriu espaço para uma maior tranquilidade dos investidores globais.
Na Bolsa de Nova York, os principais índices acionários tiveram forte volatilidade. Dow Jones e S&P 500 abriram em queda com a realização de parte lucros, após encerrarem o pregão de ontem com o melhor desempenho desde a pandemia, passara a subir, mas perderam o fôlego pouco antes do fechamento. O Dow Jones encerrou no zero a zero, o S&P 500 caiu 0,22% e o Nasdaq perdeu 0,66%.
Ainda nos EUA, foram publicados dados de emprego do setor privado hoje, divulgados pela Automatic Data Processing (ADP). Eles mostraram que o setor privado dos Estados Unidos abriu 98 mil vagas de trabalho em junho, abaixo da expectativa média dos analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que apontava para abertura de 110 mil vagas.
É uma boa notícia para as taxas de juros, porque o mercado de trabalho menos aquecido do que o esperado reduz a demanda dos americanos e a potencial pressão sobre a inflação. Mas a notícia não foi suficiente para animar os investidores. O mercado agora aguarda os dados do payroll, com os números mais importantes de emprego, que serão apresentados amanhã (2).
Além disso, no exterior, as negociações entre EUA e Irã e o comportamento do petróleo seguem no radar. Os preços do petróleo recuaram, com o Brent, a referência global, cotado na faixa de US$ 71 por barril, enquanto os operadores acompanham as negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã e a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz. Segundo relatos, as negociações indiretas realizadas em Doha, no Catar, foram positivas.
No Brasil, a leitura mais fraca do Caged, o cadastro de empregados no país, divulgado ontem, fortaleceu as apostas em um corte de juros de 0,25 ponto percentual da Selic, de 14,25% para 14% ao ano, no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto.
Com informações do Valor PRO, serviço de notícia em tempo real do Valor Econômico.