
Inadimplência no crédito aumenta e bate recorde histórico, aponta BC
A inadimplência média das operações de crédito subiu de 4,6% em abril para 4,7% em maio
Por Hamilton Ferrari e Alex Ribeiro, Valor — Brasília e São Paulo
Atualizado
A inadimplência média das operações de crédito subiu de 4,6% em abril para 4,7% em maio. É a maior taxa da série histórica, iniciada em março de 2011. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (1º).
A taxa para as empresas também subiu para 3,2% em maio, vindo de 3,1% em abril. No mesmo período, a inadimplência das famílias subiu de 5,5% para 5,6%, também recorde histórico.
No crédito com recursos livres, a inadimplência subiu de 6,1% para 6,2%. Nos recursos direcionados, a taxa subiu de 2,7% para 2,8% entre abril e maio.
Juro do cartão de crédito rotativo sobe
A taxa de juros do cartão de crédito rotativo variou de 432,0% ao ano em abril para 439,9% em maio. O rotativo é a linha de crédito pré-aprovada no cartão e inclui também saques feitos na função crédito do meio de pagamento. No caso de inadimplência do cliente, o banco deverá parcelar o saldo devedor ou oferecer outra forma para quitar a dívida em condições mais vantajosas dentro de 30 dias.
Além disso, conforme estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), os juros de novas operações no rotativo e no parcelado realizadas a partir de 3 de janeiro de 2024 não poderão superar 100% do valor original da dívida.
Já a taxa do parcelado do cartão variou de 188,1% para 189,6%. A taxa de juros total do cartão de crédito variou de 94,2% para 96,6% em maio.
No cheque especial, a taxa média de juros cobrada foi de 138,3%, vinda de 140,9% em abril.
Juro médio do crédito cai
A taxa de juros média anual cobrada pelo sistema financeiro nas operações de crédito caiu 0,1 ponto percentual, para 33,4% ao ano em maio, em relação a abril. Em 12 meses, houve avanço de 1,7 ponto percentual.
A taxa cobrada das pessoas jurídicas, por sua vez, recuou 0,2 ponto, para 21,6% ao ano. Para as pessoas físicas, a taxa manteve-se em 38,9% ao ano.
Nos recursos livres, a taxa média subiu de 49,4% para 49,5% de abril para maio. No caso dos recursos direcionados, houve recuo de 12,5% para 12,2% entre os dois meses.
Já o spread, que mede a diferença entre as taxas que os bancos cobram nos empréstimos e o custo de captação desses recursos, caiu de 22,2 pontos em abril para 22,1 pontos percentuais em maio.
Nas operações de crédito com pessoas físicas, o spread ficou em 28,2 pontos percentuais, abaixo dos 28,4 pontos percentuais de abril. No crédito às empresas, ficou em 8,9 pontos em maio, mesmo patamar do mês anterior.