
Mesmo com eleições no radar, Goldman Sachs mantém Brasil como favorito e vê ações ainda baratas
No curto prazo, preferência é por bancos, empresas de serviços públicos, telecomunicações, varejistas e construtoras de baixa renda
Por Bruna Furlani, Valor — São Paulo
Atualizado
Em meio ao preço considerado atrativo, o Goldman Sachs manteve a recomendação “overweight” (equivalente a compra) para as ações listadas na bolsa brasileira, afirmando que o país permanece como o “mercado preferido dentro de América Latina”.
Nos cálculos da equipe de pesquisa de estratégia em portfólios do Goldman Sachs, liderada por Sunil Koul, as ações brasileiras negociam ao múltiplo de preço sobre lucro projetado de 8 vezes, o que parece “barato” em relação às taxas de juros de longo prazo e aos padrões de negociação observados em ciclos de corte anteriores.
“Embora a volatilidade do mercado possa aumentar no segundo semestre, à medida que nos aproximamos das eleições, qualquer alívio na precificação de juros mais altos (decorrente da dinâmica dos preços de energia) deve favorecer as ações domésticas brasileiras sensíveis aos juros, que acumulam queda no ano e estão 20% abaixo dos níveis pré-conflito”, pondera a equipe do Goldman, em relatório.
No curto prazo, no entanto, o banco sugere que os investidores se posicionem em ações domésticas cíclicas de alta qualidade — bancos com perfil defensivo, utilities (serviços públicos), empresas de telecomunicações, setor imobiliário voltado para a baixa renda e varejistas selecionadas com preços atrativos —, dado o cenário fundamentalista favorável para esses papéis, independentemente do resultado das eleições.
Já fora do Brasil, a equipe diz que mantém uma postura neutra em relação ao México, dado o cenário de crescimento lento — tanto em nível macro quanto microeconômico — e a perspectiva de que o ambiente de investimentos continue sendo afetado por incertezas internas e externas, particularmente no que diz respeito aos rumos da política comercial dos EUA e à revisão do USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá).
Os profissionais também mantiveram a neutralidade em relação à Colômbia, apesar do resultado eleitoral favorável ao mercado no início deste mês. “O mercado de ações do país permanece vulnerável a uma reversão após os fortes ganhos pré-eleitorais, em meio à retomada do ciclo de alta de juros e às preocupações fiscais persistentes de médio prazo, com elevado risco de implementação de medidas pelo novo governo”, destacou a equipe.
Conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor Econômico.