
Volume investido em carteiras administradas dobra em quatro anos
Ao contratar uma carteira administrada, o investidor pessoa física dá ao gestor o poder para tomar decisões de investimentos em seu nome, dentro de limites previamente acordados
O volume investido em carteiras administradas, uma gestão de investimentos profissional, dobrou nos últimos quatro anos, apontam dados novos que a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) disponibilizará a partir de agora. O montante saltou de R$ 830 bilhões em julho de 2022, quando começou a base de informações sobre esse segmento, para R$ 1,4 trilhão em março de 2026.
Ao contratar uma carteira administrada, o investidor pessoa física dá ao gestor o poder para tomar decisões de investimentos em seu nome, dentro de limites previamente acordados, conforme os seus objetivos e o seu perfil de risco. O serviço é independente. Assim, o gestor tem o mercado inteiro para buscar aplicações e não deve ganhar remunerações além da que o investidor paga. Dessa forma, é alinhado ao interesse do investidor.
Conforme a entidade, os investidores profissionais, aqueles com mais de R$ 10 milhões em investimentos, são os mais interessados nas carteiras administradas e responsáveis por quase todo o o volume investido, R$ 1,2 trilhão. Em seguida, estão os investidores qualificados, que possuem mais de R$ 1 milhão investidos, com R$ 158 bilhões, depois os investidores do público geral, com R$ 19,4 bilhões.
As carteiras customizadas, que escolhem as aplicações de forma personalizada para cada cliente, concentram a maior parte do volume, R$ 1,2 trilhão. Enquanto isso, as padronizadas, que seguem um padrão para cada perfil de risco, tem R$ 156 bilhões.
As aplicações líquidas nesses produtos, descontando os resgates, alcançaram R$ 9,1 bilhões de janeiro a março de 2026. O resultado é o segundo melhor para esse intervalo desde julho de 2022, apenas atrás dos R$ 11 bilhões registrados nos três primeiros meses de 2025.
Já o número de carteiras caiu de 123 mil em julho de 2022 para 117 mil em março de 2026. O recuo não reflete um movimento de mercado e foi concentrado em apenas uma instituição, segundo a associação.
A maioria (61%) das carteiras ativas admitem investimento em crédito privado, 27% permitem alocação no exterior e 19% têm a possibilidade de investimento em criptoativos direta ou indiretamente.
"O avanço do patrimônio das carteiras administradas reflete um movimento de maturidade do mercado brasileiro, em que investidores buscam estratégias mais sofisticadas e gestores ampliam sua capacidade de entregar soluções sob medida", afirma Soraia Barros, gerente-executiva de fundos de investimento da Anbima. "É um segmento que ganha cada vez mais protagonismo na alocação de patrimônio no país", diz.
Os dados da Anbima serão disponibilizados neste site. A entidade enviou em maio um comunicado aos agentes da indústria de investimentos para esclarecer as diferenças entre as carteiras administradas e as carteiras recomendadas — e as regras a serem seguidas por cada uma. Diferente da carteira administrada, a carteira recomendada é uma sugestão de alocação de investimentos, normalmente organizada por perfil de risco, mas a decisão é do cliente.
No comunicado, a associação esclareceu que esse serviço ocorre "sem que haja delegação de poderes ou mandato para execução automática das operações". Atualmente, a maioria das plataformas presta esse serviço também com execução automática. Contudo, pede uma autorização do investidor, normalmente por uma mensagem enviada no aplicativo, para fazer as mudanças na carteira dele e se enquadrar nas normas.
No comunicado, a Anbima esclareceu que esses serviços são regulados e autoregulados por diferentes normas. A carteira administrada é regulada somente pela Resolução 21 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e autoregulada pelo Código de Administração e Gestão de Recursos de Terceiros da Anbima. A entidade reforçou que esse serviço exige análise de perfil de risco do investidor para definir e acompanhar os investimentos, prevista nessas regras.
Já o número de carteiras saiu de 123 mil em julho de 2022 para 117 mil em março de 2026. O recuo não reflete um movimento de mercado, tendo sido concentrado em uma única instituição.