Como o payroll e a investigação dos EUA sobre o PCC afetam o mercado hoje?

Como o payroll e a investigação dos EUA sobre o PCC afetam o mercado hoje?

Como o payroll e a investigação dos EUA sobre o PCC afetam o mercado hoje?

Cesta Básica: tudo que você precisa saber para começar o dia bem informado

Em um dia de agenda vazia por aqui, o mercado repercute os dados de emprego nos Estados Unidos. O relatório payroll de junho mostrará o quão aquecida está a economia por lá e, portanto, se há espaço para o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) cortar os juros. No Brasil, o anúncio de novas sanções do governo americano contra cidadãos e empresas brasileiras por supostos vínculos com o PCC pode trazer cautela.

De olho nos dados

Nesta semana, alguns dados de emprego chamaram a atenção nos Estados Unidos. Por um lado, o relatório Jolts mostrou 7,6 milhões de vagas de trabalho em aberto, mais do que o esperado pelos economistas. Em contrapartida, a pesquisa ADP mostrou a abertura de 98 mil vagas no setor privado, abaixo do esperado.

Hoje, vem o tira-teima: os dados do payroll serão divulgados às 9h30 de Brasília e trarão dados como a taxa de desemprego e o ganho médio por hora trabalhada.

Esses números importam porque eles mostram o quanto a economia norte-americana está aquecida. Caso a atividade e o mercado de trabalho continuem mostrando força, isso significa que o cenário ainda é de fortes pressões inflacionárias, o que acende um alerta especialmente após a guerra entre EUA e Irã trazer uma escalada do petróleo que aumentou a inflação mundo afora.

Em um cenário de alta dos preços, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) tem menos espaço para cortar os juros, o que pode impactar tanto a bolsa quanto o câmbio, não só nos EUA, mas também ao redor do mundo.

Brasil x Washington

Menos de um mês após a entrada em vigor da medida, o governo americano anunciou sanções a dois cidadãos brasileiros e a três empresas do país suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo Gene Lange, subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira, a ação visa “enfrentar a crescente presença da geração de receitas ilícitas do PCC dentro das fronteiras americanas”.

A princípio, os alvos das sanções são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Segundo informações do governo americano, Shimada mora em São Paulo é um elo entre os integrantes do PCC sediados na Flórida e traficantes de drogas estrangeiros. Ele teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em diversas cidades dos Estados Unidos e arredores, utilizando criptomoedas para transferir os fundos de volta ao Brasil em nome do PCC.

Stella, por sua vez, seria uma colaboradora próxima de Shimada que atuou como sua secretária e teria servido como intermediária na coleta de grandes quantias de dinheiro em espécie, segundo o governo americano.

Segundo especialistas, esse tipo de ação por parte do governo americano tende a aumentar o monitoramento sobre bancos e empresas brasileiras e reforça internacionalmente um problema de segurança pública já conhecido pelos investidores estrangeiros. Há, portanto, um “desgaste reputacional” para o país, que pode trazer um impacto sobre o fluxo de investimentos.

Apesar disso, especialistas afirmam que uma vez que os riscos políticos, fiscais e institucionais do Brasil já são considerados pelos investidores globais na hora de alocar recursos, as consequências podem ser limitadas.

← Finance & Crypto