
Ibovespa sobe e dólar recua após 'payroll' com criação de empregos abaixo do esperado
Criação de vagas abaixo do esperado leva o mercado a negociar taxas de juros futuras mais baixas, o que favorece os ativos de maior risco na sessão
A mercado esperava ansioso pela divulgação do relatório de criação de vagas nos Estados Unidos ("payroll") de junho, e a divulgação na manhã desta quinta-feira (2) fez jus à ansiedade. Os dados mostram uma forte queda na criação de empregos, mas a taxa de desemprego também caiu. De acordo com analistas, a leitura dá algum alívio balanço de riscos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), mas o cenário segue ambíguo, o que pode criar ainda mais volatilidade nas taxas de juros negociadas à mercado.
Por enquanto, a reação dos mercados é majoritariamente positiva, com alívio das taxas de juros futuros globais e impulso aos mercados de ações.
- O Ibovespa avançava 0,38%, aos 172.336, às 12h39.
- Já o dólar recuava 0,30%, a R$ 5,194. A desvalorização da moeda americana ocorre também frente a outras moedas, com queda de 0,63% no índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes.
- Em Nova York, o índice Dow Jones subia 0,90%, de S&P 500 ganhava 0,73% e de Nasdaq avançava 0,69%, no mesmo horário.
Apenas seis ações do Ibovespa operam em queda na sessão. A maior alta é da Tim Brasil (TIMS3), de 2,67%. Em segundo lugar vem a Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3), com alta de 2,18%, em um ensaio de recuperação após encerrar o primeiro semestre na laterna no índice, com recuo anual acumulado de 46,42%.
As ações avançaram com força após a divulgação do "payroll", mas desaceleraram no início da tarde. Os preços do petróleo voltaram a cair, com recuo de 1%, a US$ 70,85, no barril tipo Brent. Com isso, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4), que apresentavam alta pela manhã, passaram a cair e pesaram sobre o índice.
'Payroll' fraco: por que isso importa?
Foram criadas 57 mil vagas de trabalho em junho, de acordo com a Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos. O consenso dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal eram de 115 mil novas vagas. O número muito inferior dá ânimo aos ativos de risco globais após semanas de revisão para cima das expectativas de juros na maior economia do mundo. Além disso, o número de vagas criadas em maio foi revisado de 172 mil para 129 mil.
Em contraste, a taxa de desemprego caiu em junho, para 4,2%. O consenso era de 4,3%. E os pedidos iniciais de seguro-desemprego somaram 215 mil, frente a um consenso de 220 mil. A ambiguidade nos dados contribuem para a alta moderada nas bolsas de NY.
Apesar da reação positiva nas bolsas, não se trata "uma alta de euforia", afirma Gustavo Assis, diretor-executivo da Asset Bank. Na sua visão, o mercado lê o "payroll" como um alívio para as taxas de juros negociadas à mercado, e não como uma virada definitiva de cenário. "A bolsa sobe pelo ajuste de expectativa em relação ao Fed, mas segue dependente dos próximos dados de inflação e do ambiente fiscal doméstico”, diz.
Ainda há apostas majoritárias de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) vai aumentar as taxas de juros na reunião de outubro, mas as chances de uma segunda alta em dezembro caíram após a divulgação do relatório, de acordo com o CME FedWatch Tool.
"O 'payroll' de maio dava cobertura para Warsh manter juros ou subir. O de junho tira. E a inflação não cedeu. Atividade enfraquecendo com preços ainda pressionados não é o tipo de cenário que se resolve com uma direção só", afirma José Alfaix, economista da Rio Bravo Investimentos.
Os investidores devem acompanhar tanto o cenário externo quanto os desdobramentos envolvendo o Brasil para calibrar suas decisões ao longo do pregão desta quinta-feira (2). Por aqui, as sanções anunciadas pelos Estados Unidos ao PCC adicionam um componente de cautela ao ambiente doméstico, ainda que especialistas avaliem que seus efeitos tendem a ser limitados.