
AgroGalaxy (AGXY3), Ambipar (AMBP3) e BRB (BSLI3) aparecem em lista de inadimplentes da CVM
Companhias deixaram de entregar documentos periódicos obrigatórios por pelo menos três meses; regulador alerta que descumprimento prolongado pode levar à suspensão do registro
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulgou nesta sexta-feira (3) uma lista com 11 companhias abertas que estão inadimplentes com a entrega de informações periódicas obrigatórias ao mercado.
Segundo a autarquia, as empresas deixaram de apresentar, por pelo menos três meses, um ou mais dos principais documentos exigidos das companhias abertas, como as demonstrações financeiras padronizadas (DFP), os formulários de informações trimestrais (ITR) ou o formulário de referência (FRE). A relação considera documentos com prazo de entrega vencido antes de 1º de abril deste ano.
Entre os nomes que chamam atenção estão a AgroGalaxy (AGXY3), que está em recuperação judicial, a Ambipar (AMBP3) e o Banco de Brasília (BRB), além da Oi e da Refinaria de Petróleos de Manguinhos, ambas também em recuperação judicial.
A inadimplência da AgroGalaxy em uma amortização de CRAs (Certificados de Recebíveis Agrícolas) disparou o vencimento antecipado dessas séries pela securitizadora, gerando uma crise imediata de liquidez que forçou o pedido de recuperação judicial. Esse descumprimento impactou diretamente as carteiras de diversos Fiagros com exposição aos ativos da companhia, resultando em forte desvalorização das cotas no mercado secundário e na necessidade de provisões por parte dos gestores devido ao risco de crédito materializado.
O colapso da Ambipar (AMBP3) foi provocado por alavancagem agressiva, derivativos complexos e falta de liquidez no caixa, agravados por indícios de irregularidades financeiras. Ataques especulativos a green bonds (títulos verdes) e o acionamento de vencimento antecipado pelos credores forçaram a empresa a pedir recuperação judicial para reestruturar um passivo de R$ 10,5 bilhões.
O BRB aparece na lista em meio às investigações sobre sua relação com o Banco Master. O banco público chegou a anunciar a compra de uma participação no Master, operação posteriormente barrada pelo Banco Central. Paralelamente, tornou-se alvo de investigações por operações envolvendo carteiras de crédito e fundos relacionados ao grupo de Daniel Vorcaro, que passaram a ser examinadas pela Polícia Federal, pelo Banco Central e pela própria CVM após a liquidação extrajudicial do Master.
Completam a lista Alliança Saúde e Participações, Brasil BioFuels, Environmental ESG Participações, IFIN Participações, K-Infra Rodovia do Aço e Porto Ponta do Félix.
No comunicado, a área técnica da CVM alerta que a falta dessas informações deve ser considerada pelos investidores em suas decisões, já que os documentos periódicos são a principal fonte de divulgação de resultados, riscos e demais informações relevantes sobre as empresas.
A autarquia também lembra que a regulamentação prevê a suspensão do registro de companhia aberta caso o emissor permaneça por mais de 12 meses sem cumprir suas obrigações periódicas. A medida impede novas ofertas públicas de valores mobiliários e restringe a atuação da empresa no mercado de capitais até que a situação seja regularizada.
A CVM ressalta que a lista não inclui companhias que já estejam com o registro suspenso nem aquelas em situação de falência ou liquidação, conforme seu cadastro.