
Estrangeiro amplia interesse por empresas brasileiras
Americanos reforçaram presença nas transações de ativos no país
Por Fernanda Guimarães, Valor — São Paulo
Atualizado
Os compradores estrangeiros voltaram a liderar as aquisições de empresas brasileiras no primeiro semestre de 2026 e, com isso, já respondem por mais da metade do volume financeiro movimentado em fusões e aquisições (M&A) no país. O avanço ocorre em um contexto de incertezas geopolíticas e de recentes atritos entre Brasil e Estados Unidos, algo que, no entanto, não impediu o aumento do interesse internacional por ativos locais.
Até o momento, as transações envolvendo estrangeiros somam US$ 15,913 bilhões, o equivalente a 56,5% do volume financeiro de M&A registrado no Brasil neste ano, que alcançou US$ 28,16 bilhões, segundo levantamento da Dealogic realizado a pedido do Valor. O montante financeiro já se aproxima dos US$ 18 bilhões registrados em todo o ano passado, quando as operações transfronteiriças (“cross-border”) representaram 35% dos US$ 53,2 bilhões movimentados pelo mercado brasileiro de fusões e aquisições.
Os Estados Unidos voltaram a ocupar posição de destaque na origem dos investidores estrangeiros, a despeito de recentes medidas do governo de Donald Trump contra o Brasil. No acumulado do ano, compradores americanos responderam por 13,4% do total das operações de M&A realizadas no país, com US$ 3,76 bilhões em transações no período. O valor representa o dobro de todo o volume registrado em 2025. O maior desembolso de investidores americanos no país ocorreu em 2022, quando as transações somaram US$ 7,6 bilhões, ainda segundo a Dealogic.