Mudou a escalação: veja quem ganhou espaço entre os destaques cripto para julho

Mudou a escalação: veja quem ganhou espaço entre os destaques cripto para julho

Mudou a escalação: veja quem ganhou espaço entre os destaques cripto para julho

Levantamento mensal do Valor Investe mostra Hyperliquid na liderança das apostas para o mês, Solana no lugar de Ethereum e o retorno de Chainlink ao grupo das mais citadas

Dez casas consultadas pelo Valor Investe citaram 19 criptomoedas diferentes para ficar de olho em julho, mantendo a média de menções dos últimos quatro meses, mas reforçando a leitura de que o mercado cripto entra no mês mais seletivo. O destaque principal ficou com a Hyperliquid (HYPE), que manteve o embalo recente e assumiu a liderança entre os ativos mais citados. Na sequência, o segundo lugar ficou dividido entre Bitcoin (BTC), Chainlink (LINK) e Solana (SOL), todas com o mesmo número de indicações.

O resultado mostra algumas mudanças importantes no radar dos analistas. Chainlink, que vinha em baixa no ano e não havia aparecido entre as mais citadas em nenhum mês de 2026, voltou ao centro das apostas com a tese de infraestrutura, tokenização e conexão entre o mercado financeiro tradicional e as redes blockchains (a tecnologia de registro digital seguro e descentralizado, onde as informações são guardadas em blocos criptografados e imutáveis) .

Solana, por sua vez, desbancou Ethereum (ETH), que ficou fora do grupo das mais citadas pela primeira vez no ano. Já o Bitcoin perdeu um pouco de peso na comparação com meses anteriores, mas segue entre os principais nomes por continuar sendo a criptomoeda de referência do mercado e a aposta de longo prazo para investidores mais institucionais.

Para Julián Colombo, diretor sênior de políticas públicas e estratégia para a América do Sul na Bitso, julho deve refletir um mercado mais cauteloso e seletivo, influenciado pelo cenário macroeconômico e pelo comportamento do capital institucional.

Segundo ele, há uma mudança clara na direção do mercado, com maior foco em infraestrutura, eficiência e utilidade real. Nesse ambiente, tendem a se destacar os ativos que combinam fundamentos sólidos com capacidade de resolver problemas concretos dentro da economia digital.

Marcelo Person, diretor de mercados da Foxbit, segue linha parecida. Ele afirma que julho costuma ser um mês de maior seletividade no mercado cripto. Depois da expansão do fluxo no primeiro semestre, investidores tendem a buscar ativos ligados a tendências mais específicas, como infraestrutura de dados, interoperabilidade e aplicações financeiras com geração de receita real.

André Sprone, chefe de Ibero-América da MEXC, avalia que o mês começa em clima de atenção, mais do que de euforia. Para ele, o mercado ainda enfrenta pressão macroeconômica, sentimento fraco e incerteza regulatória, mas as principais teses do ciclo seguem de pé: Bitcoin como referência, Ethereum e Solana como infraestrutura, Hyperliquid como finanças descentralizadas (DeFi) com uso real e Chainlink como ponte entre cripto e mercado tradicional.

HYPE mantém o hype

Hyperliquid (HYPE) foi o criptoativo mais citado para julho e aparece como uma das principais teses de 2026 dentro de finanças descentralizadas (DeFi), em que transações são realizadas sem intermediários, como bancos e financeiras. A plataforma é voltada principalmente à negociação de contratos perpétuos, um tipo de derivativo sem data de vencimento.

O diferencial, segundo os analistas, está na combinação entre uso real, alto volume negociado e geração de receita. Na prática, quanto mais os usuários negociam na plataforma, mais taxas são geradas. Parte relevante desse dinheiro é usada para recomprar HYPE no mercado, o que cria uma demanda recorrente pelo próprio token.

“Em essência, quanto maior o uso da plataforma, maior tende a ser a demanda recorrente pelo token, criando um mecanismo de captura de valor ligado ao desempenho do próprio negócio”, aponta Valter Rebelo, analista da Empiricus.

André Franco, CEO da Boost Research, afirma que a Hyperliquid vem demonstrando força em um mercado fragilizado, enquanto boa parte das altcoins (como são chamadas todas as criptos que não são o Bitcoin) perde terreno. Para ele, isso reforça a tese de que o protocolo consegue gerar receita de forma consistente, independentemente da direção do mercado.

Fabricio Tota, vice-presidente de negócios cripto do Mercado Bitcoin, também vê a HYPE como uma boa exposição para julho. Segundo ele, em um ambiente de maior volatilidade nos mercados globais, plataformas de derivativos tendem a se beneficiar do aumento no volume negociado, da maior atividade dos usuários e da geração de taxas.

Para Wander Guedes, gerente de operações da Transfero, a Hyperliquid representa uma das teses mais interessantes do setor em um momento em que investidores priorizam projetos capazes de gerar fluxo de caixa e crescimento sustentável.

Chainlink volta ao radar

A Chainlink (LINK) voltou a aparecer entre as criptomoedas mais citadas depois de passar os primeiros meses do ano fora do topo da lista. A tese em torno do LINK está ligada ao avanço da tokenização de ativos reais e à necessidade de conectar blockchains a dados externos e sistemas do mercado financeiro tradicional.

Tokenizar é transformar um ativo do mundo real — como imóveis, ações ou títulos — em uma versão digital registrada em blockchain. Essa representação pode ser dividida em pequenas partes (os tokens), facilitando o acesso de mais investidores. Na maioria das vezes, conta com contratos inteligentes, que automatizam regras e transações e proporcionam segurança, rastreabilidade e eficiência das operações.

A Chainlink é a principal rede de oráculos do mercado cripto. Em termos simples, oráculos são mecanismos que levam informações do mundo real, como taxa de juros, preços de ativos, indicadores econômicos ou resultados de eventos, para dentro das blockchains.

Os analistas da Coinext destacam que a rede assegura, desde 2022, mais de US$ 28 trilhões em valor transacionado e atua como infraestrutura fundamental para parte relevante da tokenização institucional em andamento.

O papel da Chainlink também cresce à medida que bancos, gestoras e emissores de ativos tokenizados ampliam suas operações. Para Person, da Foxbit, a integração entre sistemas financeiros tradicionais e blockchain depende cada vez mais de infraestrutura de dados confiável, o que fortalece o papel estratégico da rede.

Sprone, da MEXC, acrescenta que LINK não costuma ser o criptoativo mais “barulhento” do mercado, mas segue relevante para quem acompanha a evolução da infraestrutura dentro das redes blockchain.

Solana toma o lugar de Ethereum

Solana (SOL) aparece entre as mais citadas de julho ocupando um espaço que, ao longo do ano, vinha sendo frequentemente associado a Ethereum (ETH). A rede é vista como uma das principais alternativas de infraestrutura para aplicações descentralizadas, pagamentos, negociação em blockchains e também tokenização.

Franco, da Boost, afirma que a Solana entra na lista por fundamento e por fluxo. Segundo ele, a rede sustenta um ecossistema real de aplicações, de DeFi a pagamentos, e vem captando parte da rotação do capital institucional do mercado. Ele pondera, porém, que a atividade na rede esfriou este ano, com queda nas taxas recebidas dos usuários, após a perda de força das memecoins, as criptos criadas a partir de memes, piadas e temas do momento, que bombaram no ano passado.

Paulo Camargo, embaixador da OKX, acrescenta que Solana entra na lista dos destaques para julho pela melhora relativa recente em relação a Ethereum e ao próprio Bitcoin. Para ele, isso é um sinal positivo em um mercado ainda seletivo.

Guedes, da Transfero, avalia que, caso o ambiente macroeconômico volte a favorecer ativos de risco, Solana tende a estar entre as principais beneficiadas pela combinação de alta atividade, baixo custo operacional e crescimento do ecossistema.

Bitcoin perde peso, mas segue como referência

O Bitcoin (BTC), que encerrou junho com o pior desempenho desde 2022, perdeu força na lista de julho, mas segue entre as criptomoedas mais citadas por continuar sendo o principal representante do mercado, atuando como um “termômetro” para o segmento.

Para Colombo, da Bitso, o BTC entra no mês ainda pressionado pelo ambiente macroeconômico global, mas mantendo seu papel central. A combinação entre juros elevados e redução do fluxo institucional via ETFs (fundos de índice negociados em bolsa) limita movimentos mais expressivos no curto prazo, mas o ativo tende a reagir rapidamente a qualquer sinal de melhora no cenário global.

Sprone, da MEXC, afirma que julho será importante para entender se o mercado está apenas em modo defensivo ou se começa a formar uma base mais sólida para recuperação dos preços. Segundo ele, o fluxo dos ETFs, o comportamento do dólar e o tom do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) seguem como os principais vetores para o Bitcoin.

Confira a íntegra dos destaques para julho de cada casa

Bitso

Boost

Coinext

Empiricus

Foxbit

MB

Mexc

OKX

Transfero

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