
Novo impasse comercial entre Brasil e EUA fica no radar do mercado. Por quê?
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A sexta-feira (3) será de liquidez reduzida, uma vez que o feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos foi antecipado. Mas, mesmo com os mercados fechados, os EUA seguem no radar. Isso porque surgiram novos impasses comerciais entre Brasília e Washington que prometem mexer com os ativos financeiros. Por fim, os investidores também ficam atentos a dados que serão divulgados por aqui, como a balança comercial de junho e a produção industrial.
Brasil x EUA
No começo da semana, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão do governo americano responsável por negociações de comércio exterior, concluiu uma investigação sobre o Brasil e afirmou que algumas práticas do país prejudicariam o comércio dos EUA. Com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, os EUA propuseram uma aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e abriu o caso para consulta pública antes de uma decisão final.
O governo, contudo, apresentou aos americanos um documento para demonstrar o compromisso do país com os temas levantados na investigação. Segundo reportagem do Valor, a iniciativa prevê que o Brasil amplie as garantias nas áreas mais sensíveis aos americanos (como comércio digital, combate à corrupção, etanol) e adote medidas para reforçar o compromisso com uma condução neutra e previsível dessas políticas. O Pix, no entanto, estaria fora do documento, já que o ponto permanece inegociável.
Esse tema importa para o mercado por diferentes razões. A começar pelas próprias tarifas em si, que podem prejudicar as exportações brasileiras, apesar de atualmente o país possui uma gama muito mais diversificada de parceiros comerciais e, portanto, ser menos dependente do mercado americano.
Além disso, outro ponto importante é que quando medidas comerciais, sanções ou pressões diplomáticas passam a integrar o relacionamento bilateral entre dois países (especialmente quando um deles é a maior economia do mundo), aumenta a percepção de risco político. Segundo analistas, isso não significa uma necessariamente uma fuga imediata de capitais, mas pode elevar a cautela de empresas e investidores que avaliam decisões de longo prazo.
Dados do dia
Hoje (3), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publica, às 9h, a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) de maio. Segundo a mediana de 20 projeções coletadas pelo Valor Data, a produção industrial no Brasil deve ter crescido 0,3% em maio. O intervalo das estimativas varia entre queda de 0,2% e alta de 2,1%.
Os dados são importantes porque mostram o quão aquecida está a economia brasileira e, portanto, o quanto há de pressões inflacionárias. Portanto, a partir de dados desse tipo, por investidores conseguem calibrar suas expectativas para o futuro da Selic.
Mais tarde, às 15h, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apresentará o resultado da balança comercial de junho.