
PF usou perda em ações para estimar fraude na Americanas
Tamanho do rombo, estimado pela perícia em R$ 54 bilhões, leva em conta impacto em balanço e consequência em papéis
Por Mateus Coutinho, Valor — Brasília
Atualizado
A Polícia Federal (PF) considerou, além das distorções no balanço, até custos com investigações da própria empresa sobre as irregularidades e com a ação de recuperação judicial para estimar o rombo de R$ 54 bilhões decorrente das fraudes na Americanas. O valor, questionado pelas defesas dos alvos da segunda fase da Operação Disclosure, é mais que o dobro dos R$ 25 bilhões calculados pela companhia para as perdas e foi considerado pela 10 Vara Federal do Rio de Janeiro ao mandar bloquear bens dos acionistas de referência da varejista.
A discrepância de valores gerou dúvidas no mercado. O que a decisão judicial mostra é que, além da fraude em si, a PF incluiu na conta as consequências dela.
“O laudo complementar 2029/2025 quantificou com precisão os danos decorrentes dessa conduta fraudulenta, classificando-a em danos materiais e emergentes objetivamente mensuráveis”, diz a representação da PF.
“A perícia técnica identificou que o efeito no patrimônio líquido da Americanas S.A alcançou R$ 31,3 bilhões, as perdas financeiras dos credores no processo de recuperação judicial atingiram R$ 12,9 bilhões, e a perda patrimonial decorrente da queda do valor das ações situou-se entre R$ 8,3 bilhões e R$ 10 bilhões, os custos com a investigação da fraude somaram R$ 0,8 bilhão e os custos com o processo de recuperação judicial alcançaram R$ 0,066 bilhão.”