Tesouro Direto: taxas caem após IBGE divulgar queda na produção industrial em maio

Tesouro Direto: taxas caem após IBGE divulgar queda na produção industrial em maio

Tesouro Direto: taxas caem após IBGE divulgar queda na produção industrial em maio

Recuo na indústria, abaixo do esperado pelo mercado, alimenta apostas em juros mais baixos e pressiona para baixo as taxas dos prefixados e IPCA+

As taxas negociadas nos títulos públicos do Tesouro Direto recuaram nesta sexta-feira (3), na esteira da divulgação, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de uma queda na produção industrial em maio. O resultado, mais fraco do que o esperado pelo mercado, reforçou a leitura de que a atividade econômica começa a perder fôlego, o que tende a abrir espaço para uma postura menos dura do Banco Central mais à frente.

- A aplicação no Tesouro Prefixado 2029 paga 14,36%, ante 14,41% na última sessão.

- A aplicação no Tesouro Prefixado 2032 remunera 14,59%, ante 14,62% na última sessão.

- A aplicação no Tesouro IPCA+ 2032 paga IPCA+8,40%, ante IPCA+ 8,42% na última sessão.

- A aplicação no Tesouro IPCA+ 2040 retorna IPCA + 7,77%, ante IPCA + 7,78% na última sessão.

Segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), a produção da indústria brasileira caiu 0,2% em maio na comparação com abril, interrompendo uma sequência de quatro altas consecutivas. Em abril, o indicador havia avançado 0,7%, dado que não sofreu revisão.

O desempenho de maio ficou aquém da mediana das estimativas de 20 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, que apontava para uma alta de 0,3% na série livre de efeitos sazonais. As projeções variavam entre queda de 0,2% e alta de 2,1%.

Na comparação com maio de 2025, a produção industrial subiu 0,20%, também abaixo da mediana de mercado, de 1,3%, segundo o mesmo levantamento do Valor Data. No acumulado de 12 meses até maio, a indústria cresceu 0,40%. Com o resultado, o setor industrial brasileiro está 4,5% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda 13% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011, de acordo com o IBGE.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, demonstrou preocupação nesta quinta-feira (2) com a taxa real dos títulos públicos indexados à inflação (Tesouro IPCA+), que supera 8% ao ano, mas afirmou que o Tesouro Nacional está preparado para atuar no mercado caso considere necessário preservar a liquidez.

Questionado sobre esse nível de juros, Ceron confirmou que a taxa preocupa, mas criticou o que classificou como uma leitura simplificada das razões para a alta. Segundo ele, atribuir o comportamento do Tesouro IPCA+ exclusivamente às dúvidas em torno da política fiscal é um debate "pobre" e "superficial".

Petróleo e extrativa puxam o resultado para baixo

O IBGE atribuiu o recuo de maio, na comparação com abril, principalmente ao desempenho negativo dos segmentos de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis (-6,1%) e de indústrias extrativas (-2,6%). André Macedo, gerente da pesquisa, afirmou que as duas atividades interromperam cinco meses seguidos de expansão, período em que haviam acumulado ganhos de 17,1% e 7,4%, respectivamente.

Segundo Macedo, a produção mais fraca de álcool etílico e de gasolina foi o principal fator de pressão negativa entre os derivados de petróleo, enquanto resultados piores em minério de ferro, óleos brutos e gás natural puxaram o recuo da indústria extrativa.

Na direção oposta, os destaques positivos ficaram com produtos farmoquímicos e farmacêuticos (13,1%), veículos automotores, reboques e carrocerias (4,1%) e produtos químicos (3,1%). Macedo destacou que a indústria farmacêutica interrompeu quatro meses seguidos de queda, enquanto o setor automobilístico atingiu o quinto mês consecutivo de crescimento, impulsionado pela maior produção de automóveis, caminhões e autopeças. Já o segmento químico, segundo ele, reverteu o recuo de 2,8% registrado em abril.

Outras contribuições positivas vieram de metalurgia (2,3%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (4,7%), outros equipamentos de transporte (4,7%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (2,6%) e máquinas e equipamentos (1,2%), informou o IBGE.

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