
Renúncia no conselho da Vale (VALE3): como a notícia impactou nas ações?
Papéis caíram em linha com dia negativo na bolsa nesta segunda-feira; analistas veem pouco efeito imediato da saída esperada de Daniel Stieler
A esperada renúncia do presidente do conselho de administração da Vale, Daniel Stieler, provocou uma reação menos intensa nas ações da mineradora nesta segunda-feira (6). Os papéis da Vale (VALE3) fecharam em queda de pouco mais de 1%, em linha com o movimento de baixa do Ibovespa, em um pregão marcado pela saída de investidores estrangeiros para o setor de tecnologia das bolsas americanas.
Segundo apuração do Valor, Stieler deve formalizar sua saída ainda nesta segunda-feira. Com isso, o conselho deverá eleger um presidente interino até a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) marcada para o dia 22, quando os acionistas escolherão o substituto definitivo e o novo presidente do colegiado.
Na avaliação de Alexandre Pletes, chefe de renda variável da Faz Capital, o desempenho das ações nesta segunda-feira está mais relacionado ao cenário externo do que à expectativa de renúncia de Stieler.
"O mercado hoje, na verdade, repercute em parte o preço do minério de ferro na China, a US$ 108 à tonelada aproximadamente, praticamente estável. O mercado brasileiro está de olho no pacote de tarifas dos Estados Unidos. Então, a Vale reage em linha com o mercado", afirma.
Para ele, a possível saída do presidente do conselho já era esperada pelos investidores. "Eu acredito que não tenha relação com a questão da renúncia, que já era uma questão sabida pelo mercado, que hora ou outra poderia acontecer. Então, agora deve acontecer, mas já era sabida. Eu acredito que aqui a gente está vendo mais um movimento de mercado mesmo."
Embora o mercado não tenha reagido de forma significativa à notícia no pregão desta segunda-feira, a mudança recolocou a governança da mineradora no radar dos investidores.
A saída de Stieler, negociada nos bastidores após semanas de pressão da Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil (BBAS3) reacendeu a preocupação com a influência de acionistas de referência sobre a governança da Vale. Desde a privatização, a companhia busca preservar uma imagem de gestão independente, e qualquer sinal de interferência tende a ser recebido com cautela pelo mercado.
Para Pedro Galdi, da AGF, "o ponto central não é a saída de Daniel Stieler em si, mas quem o substituirá e por qual motivo".
A AGE do próximo dia 22 definirá a disputa entre Ieda Gomes, candidata apoiada pela administração da companhia, e José Maurício Pereira Coelho, indicado pela Previ, para a vaga no conselho. Os acionistas também escolherão o novo presidente do colegiado, em uma disputa entre Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como "Ollie", e Marcelo Gasparino.
Para o especialista em renda variável da Davos Investimentos, Marcelo Boragini, o processo adiciona ruído no curto prazo, mas ainda é cedo para medir seus efeitos sobre a companhia. "Então, no momento, o impacto é mais de ruído e expectativa. O efeito estrutural vai depender de quem será escolhido para liderar o conselho e de como essa transição será conduzida."