
Ibovespa fica no meio do fogo cruzado entre o salto do petróleo e o tombo da Vale (VALE3)
Saldo do Dia: O aumento repentino da aversão ao risco global devido aos ataques a navios no Estreito de Ormuz fez o petróleo disparar e o dólar subir. A bolsa não conseguiu driblar o mau humor externo, encontrando um amortecedor nos papéis da Petrobras
O Ibovespa ensaiou uma alta sustentada por ações de valor na abertura desta terça-feira (7), mas acabou atropelado pelo aumento repentino da aversão ao risco global. Novos ataques a navios no Estreito de Ormuz fizeram a commodity disparar, contaminando as bolsas mundiais em um pregão fragilizado pela baixa liquidez.
- No fechamento, o Ibovespa caiu 0,2%, para os 172.021 pontos. Na semana, perde 1,2%. O índice está no zero a zero no mês e, no ano, sustenta 6,8% de valorização.
"Se olharmos as bolsas americanas e a maioria dos índices europeus, eles seguiram a mesma dinâmica negativa", avalia Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
"O mercado global hoje foi influenciado basicamente pelas tensões no Oriente Médio, onde duas embarcações foram atacadas, gerando estresse no Estreito de Ormuz. Isso provocou uma disparada no preço do petróleo, então é uma questão geopolítica que voltou ao radar", pondera o economista.
Somado ao risco geopolítico, o tombo das bolsas internacionais também cobrou o seu preço por aqui, como avalia Marcos Bassani, sócio da Boa Brasil Capital.
"Há um contágio da venda de ações de tecnologia, que derrubou as cotações nas principais bolsas dos EUA e nas bolsas europeias, somado à pressão sobre as commodities em razão dos ataques em Ormuz", avalia.
Na bolsa brasileira, o movimento foi marcado por um verdadeiro cabo de guerra entre as duas maiores forças da nossa carteira teórica.
De um lado da corda, puxando o índice para cima, a Petrobras (PETR4 e PETR3, que somam mais de 10,8% do índice) atuou como o grande amortecedor do dia. As ações preferenciais da estatal subiram 1,8% e as ordinárias avançaram 2,6%.
Os papéis foram impulsionados pelo salto de 3% nos contratos futuros do petróleo Brent, que passou a ser negociado na casa dos US$ 74 por barril após os relatos de que a Guarda Revolucionária do Irã disparou mísseis contra embarcações civis.
Do outro lado do cabo de guerra, pesando contra o Ibovespa, a Vale (VALE3), dona de isolados 11,4% do índice, puxou a corda com força para baixo e caiu 2%.
Para Bassani, a mineradora sofreu um duplo impacto. "A Vale foi pressionada pela renúncia de Daniel Stieler à presidência do conselho de administração, somada à queda do minério de ferro na bolsa de Dalian", destaca.
- Das 78 ações que fazem parte da carteira teórica mais famosa do Brasil atualmente, 44 caíram nesta terça-feira (7).
- Embora o giro financeiro final de R$ 15,3 bilhões tenha superado a estimativa inicial de R$ 14 bilhões, o volume do dia ficou 17,3% abaixo da média dos últimos 12 meses.
O volume financeiro evidenciou o ritmo contido das mesas locais, em um cenário em que a própria corrida presidencial no Brasil começa a segurar as grandes decisões de portfólio.
De acordo com Sung, esse ambiente doméstico defensivo ganhou um complicador a mais: as discussões sobre tarifas comerciais nos Estados Unidos envolvendo autoridades brasileiras.
O tema ganhou espaço hoje com o discurso do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) no exterior, em uma agenda que visa conter desgastes recentes na sua campanha e acenar ao mercado.
"Essas tensões também deixam o investidor em modo de espera para ver o que vai acontecer, lembrando que a decisão final sai no dia 15 de junho", comenta, referindo-se ao prazo final para as definições das tarifas americanas.
No mercado de câmbio, o dólar subiu globalmente. Após os ataques no Estreito de Ormuz, os investidores buscaram abrigo na moeda americana, que se fortaleceu contra as principais divisas internacionais.
- Contra o real, o dólar à vista avançou 0,4%, cotado a R$ 5,1522. Na semana, ainda cai 0,3%. No mês, perde 0,2% e, no ano, fica 6,1% mais barato para o brasileiro.
Ações negociadas em 07/07/2026