
Nova fonte de receita do WhatsApp traz risco de fraude, dizem analistas
Meta substituirá a identificação de novos contatos no app por nome de usuário, enquanto o celular não será revelado
Por Daniela Braun, Valor — São Paulo
Atualizado
O WhatsApp, aplicativo de mensagens da Meta, começou a oferecer a opção para cada usuário criar e reservar um nome, deixando seu número de celular oculto para novos contatos. A empresa afirma que o recurso, que entra em vigor nos próximos meses, é uma forma de proteger a privacidade de seus mais de 3 bilhões de usuários. Do ponto de vista da cibersegurança, entretanto, especialistas dizem ao Valor que a função não será um impeditivo para tentativas de golpes pelo aplicativo e pode, inclusive, elevá-los.
Em 2025, 67% dos incidentes detectados pela empresa de cibersegurança Sophos, em 70 países, tiveram origem em ataques relacionados à identidade, segundo a coleta de dados realizada entre novembro de 2024 e outubro de 2025. “Isso confirma que a identidade digital se tornou o principal alvo dos criminosos, superando a exploração direta de vulnerabilidades”, diz o vice-presidente de vendas da Sophos na América Latina, Wagner Tadeu.
Para autoridades da Índia, país com o maior número de usuários do WhatsApp no mundo, seguido pelo Brasil, a iniciativa gerou preocupação. Na quinta-feira (2), o Ministério de Tecnologia indiano enviou uma notificação à Meta instruindo a companhia a adiar o lançamento do recurso.
Como justificativa, o ministério disse acreditar que os nomes de usuário podem aumentar a incidência de fraudes on-line, de golpes e a criação de perfis falsos, segundo documento obtido pela Bloomberg. Pedidos de informações aos aplicativos Telegram e Signal, que já atuam com nomes de usuários no lugar de celulares, também foram enviados.