
Tesouro Direto: taxas interrompem queda com reânimo da guerra no Irã
Navios-taque foram atacados novamente no Estreito de Ormuz nesta terça e petróleo disparou, o que volta a pressionar os juros
Depois de quedas sucessivas, em resposta ao recuo da prévia de inflação de junho e às falas do secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, a indicar uma possível intervenção do governo federal para conter as taxas, os títulos públicos brasileiros operam praticamente estáveis nesta terça-feira (7).
Dois navios-tanque de petróleo e gás natural foram atacados durante a madrugada pelo Irã e o governo dos Estados Unidos renovou suas ameaças de "terminar o trabalho" na região. Com isso, aumentam as dúvidas sobre a negociação para o fim da guerra e sobre uma possível escalada dos preços do petróleo novamente, em um momento em que o mundo já enfrenta os efeitos duradouros do conflito sobre a inflação.
- A aplicação no Tesouro Prefixado 2029 paga 14,22%, ante 14,20% na última sessão.
- A aplicação no Tesouro Prefixado 2032 remunera 14,43%, ante 14,44 na última sessão.
- A aplicação no Tesouro IPCA+ 2032 paga IPCA+8,27%, ante IPCA+ 8,27% na última sessão.
- A aplicação no Tesouro IPCA+ 2040 retorna IPCA + 7,64%, ante IPCA + 7,64% na última sessão.
O Tesouro Nacional realizou hoje seu leilão periódico de títulos. Foram três lotes de atrelados à inflação com diferentes vencimentos, com volume financeiro de aproximadamente R$ 628,92 milhões, e um lote de Selic, com volune de R$ 28,8 bilhões. Todos foram vendidos integralmente e, nos primeiros, com remuneração superior à do Tesouro Direto. Os títulos equivalentes a um Tesouro IPCA+ 2031 foram ofertados com rendimento de 8,41%, em um mercado de difícil acesso para o investidor pessoa física e onde predominam tesourarias de bancos e fundos de investimento.
O secretário-executivo da Fazenda Rogério Ceron disse entrevista à Folha de São Paulo na última quinta (2) que vê com preocupação as taxas do Tesouro IPCA+, que avançaram acima dos 8% (em juros reais, descontada a inflação) ao longo de junho.
"Se precisar recomprar forte, não há problema nenhum. O Tesouro está preparado", afirmou Ceron. Uma recompra dos títulos pressiona os preços para baixo em um momento de menor demanda do mercado. No último mês, os leilões periódicos para emissão da dívida pública não acharam compradores para todos os lotes, mesmo com taxas recordes. Em junho, elas superaram o nível da crise institucional do governo Dilma. Sem compradores, as taxas sobem, e diminui o valor dos papéis já em posse dos investidores.