
Ata do Fed revela divisão sobre juros nos EUA e mudança no comunicado do banco central
O documento da última reunião mostra que os dirigentes do banco central americano discordam sobre os próximos passos da política monetária
Os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) terminaram a última reunião divididos sobre qual deve ser o próximo movimento dos juros no país. Enquanto parte dos membros vê espaço para cortes, outro grupo acredita que novas altas ainda podem ser necessárias.
A divisão aparece na ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), divulgada nesta quarta-feira (8), referente ao encontro dos dias 16 e 17 de junho.
Na ocasião, o Fed decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros americana no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano.
Fed vê dois caminhos possíveis para os juros
Segundo a ata, os integrantes do Fed discutiram cenários bastante diferentes para a economia americana.
De um lado, alguns dirigentes avaliaram que a inflação pode continuar desacelerando, abrindo espaço para uma redução dos juros.
De outro, parte dos membros demonstrou preocupação de que os preços continuem pressionados, o que poderia exigir uma política monetária mais dura.
“Muitos participantes indicaram que o nível adequado da taxa dos Fed Funds estaria dentro ou ligeiramente abaixo da faixa atual no fim deste ano”, informou a ata.
Ao mesmo tempo, “muitos outros participantes avaliaram que o nível apropriado estaria acima da faixa atual no fim do ano”, complementou o documento.
Na prática, isso mostra que o Fed ainda não tem uma direção definida e deve continuar avaliando os próximos indicadores econômicos antes de decidir se sobe ou reduz os juros.
Apesar da divisão entre os dirigentes do Fed, os investidores ainda não esperam uma mudança nos juros americanos na próxima reunião do banco central.
Segundo dados da ferramenta FedWatch, do CME Group, o mercado atribui 69% de probabilidade de manutenção da taxa no intervalo atual de 3,50% a 3,75% ao ano na reunião de julho.
A chance de uma alta de 0,25 ponto, levando os juros para a faixa entre 3,75% e 4%, é de 31%.
Para setembro, porém, o cenário muda. As apostas indicam uma probabilidade de 68,9% de alta nos juros, com a maior parte do mercado (51,9%) projetando a taxa entre 3,75% e 4% ao ano após a reunião.
Outros 17% veem possibilidade de um aumento mais forte, para o intervalo entre 4% e 4,25%.