Banco Central tem pouco espaço para ignorar El Niño, diz Morgan Stanley

Banco Central tem pouco espaço para ignorar El Niño, diz Morgan Stanley

Banco Central tem pouco espaço para ignorar El Niño, diz Morgan Stanley

Banco vê impacto de 0,84 p.p. sobre o IPCA no cenário-base, mas alerta que efeito pode dobrar e chegar a 1,68 p.p.

Por Victor Rezende, Valor — São Paulo

Atualizado

É grande a preocupação dos economistas do Morgan Stanley com os possíveis impactos do El Niño sobre a economia brasileira, especialmente sobre a inflação. O cenário-base do banco americano contempla uma intensidade moderada do fenômeno e já mostra efeitos bastante fortes sobre o IPCA. No entanto, os desdobramentos podem ser maiores, o que pode fazer com que a estratégia usual do Banco Central de “olhar através” do fenômeno (“look through”) custe ainda mais.

No cenário-base do Morgan Stanley, a expectativa é que o efeito total seja de 0,84 ponto sobre o IPCA “cheio”, distribuído entre 2026 (0,34 ponto) e 2027 (0,50 ponto), diante da expectativa dos economistas Thiago Machado e Ana Madeira de que o pico seja no quarto trimestre deste ano.

Nesse contexto, o banco projeta um IPCA de 5,0% no fim deste ano e de 4,0% em 2027, ao considerar uma inflação de alimentos de 7,2% em 2026 e de 5,2% no próximo ano.

“Em um cenário de El Niño forte, secas e enchentes mais severas poderiam reduzir de forma significativa a produtividade agrícola, elevar os custos de transporte e provocar aumentos expressivos nos preços dos alimentos — especialmente café, açúcar, grãos e produtos perecíveis — adicionando potencialmente 1,26 ponto ao IPCA”, observam.

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