
Fundos de renda fixa em média rendem abaixo do CDI no 1º semestre
A Anbima alerta: com os juros tão altos, o crédito privado está mais arriscado e não é para qualquer um
Os fundos de renda fixa em média renderam abaixo do CDI, a referência para os investimentos em geral que anda colada na Selic, na primeira metade do ano, apontam dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) nesta quarta-feira (8). A classe entregou em média uma remuneração de 5,5%, ante um CDI de 6,8%. A entidade faz um alerta: com os juros tão altos, o crédito privado está mais arriscado e não é para qualquer um.
Os fundos que mais renderam, e mesmo assim alcançaram apenas o CDI em média, foram os classificados como crédito privado com prazo médio da carteira abaixo de 63 dias. Já os que menos renderam foram os classificados como crédito privado com prazo médio livre da carteira. A categoria entregou em média uma remuneração de somente 5,4%. Em ambas as classes, o objetivo é superar o CDI, comprando papéis com risco de crédito moderado a alto em mais de 20% do patrimônio.
A volatilidade dos retornos nesses produtos foi alta durante o primeiro semestre. Os fundos de crédito privado com concentração acima de 50%, os de maior risco, registraram perdas de 0,39% em março e ficaram praticamente no zero a zero em abril, mas se recuperaram e renderam 0,55% em maio.
O aumento das taxas dos títulos que compõem esses fundos — em razão do aumento da percepção de risco após pedidos de recuperações extrajudiciais de empresas, atrasos na divulgação de resultados e efeitos da guerra no Oriente Médio nos juros — fez o preço das cotas caírem, mas o mercado normalizou depois.
As perdas trouxeram um susto para os cotistas e deram início a uma onda de resgates. Contudo, as aplicações chegaram a R$ 14,4 bilhões, descontando as retiradas, nos fundos de crédito privado entre janeiro e maio. Já os fundos de renda fixa em geral capitanearam os aportes dos fundos de investimentos como um todo. As entradas alcançaram R$ 108,4 bilhões, com os altos juros da renda fixa atraindo os investidores.
Cuidado com os riscos
Na análise de Pedro Rudge, diretor da Anbima, com os altos juros do mercado, a renda fixa deve continuar sendo o carro-chefe dos investimentos. Contudo, a classe de crédito privado tende a sofrer um pouco mais.
"Com as empresas se financiando a taxas mais altas ou com dificuldade de pagar as dívidas por um longo período, vemos casos de empresas precisando renegociar ou dando default", afirmou, em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira. "Por outro lado, os fundos são diversificados, o que mitiga o risco de inadimplência. Mas o cenário atual é desafiador", disse.
O executivo alerta que crédito privado tem riscos para render mais que o CDI. "É razoável às vezes alguns emissores não irem bem e o fundo sofrer perdas. Os mais diversificados não devem ter maiores impactos em casos de inadimplência e postergação de pagamentos, mas para o investidor avesso a mais risco, é melhor encontrar alternativas mais conservadoras", afirmou. Ele espera que o ritmo de aplicações caia nesse cenário.