
Juros altos não impedem economia de crescer acima do potencial
Estudo da FGV diz que hiato do produto tem maior avanço em quase um ano
Por Alessandra Saraiva, Valor — Rio
Atualizado
O hiato do produto da economia brasileira voltou a acelerar no primeiro trimestre e alcançou o maior patamar em quase um ano. Entre janeiro e março, o indicador atingiu 3,5% e foi o maior desde os 3,7% do segundo trimestre do ano passado. Os dados constam do estudo “Hiato do PIB continua positivo há 13 trimestres”, dos economistas da Fundação Getulio Vargas (FGV) Claudio Considera e Henrique Bittencourt e divulgado ao Valor. A série acompanha desde o terceiro trimestre de 1982 o índice, que é a diferença entre o PIB real, efetivamente produzido, e o PIB potencial, a capacidade máxima sustentável da economia. Ele indica se a economia está acelerada ou ociosa e funciona como termômetro para governos ajustarem juros e projeções de inflação.
Quando o hiato do produto sobe, significa que a economia está acelerando e o que o PIB efetivo cresce mais rápido do que capacidade produtiva de longo prazo (PIB potencial). Quanto mais positivo o hiato, mais a economia está crescendo acima do potencial. Para Considera, o dado comprova que a economia, mesmo com projeções que apontam o contrário, se mantém aquecida em 2026.
A maioria dos economistas consultados pelo Valor também avaliou que a economia, no momento, está mais aquecida do que o projetado no começo do ano. O novo contexto levou especialistas a atualizarem previsões para o PIB, Selic e inflação em 2026, com crescimento da economia mais próximo a 2% — e Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acima de teto de meta inflacionária (4,5%) no fim do ano.